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Candidato a prefeito de Bogotá compraria votos para se eleger
Do ex-blog do Cesar Maia, prefeito do Rio de Janeiro:
ATENÇÃO CANDIDATOS A PREFEITO EM 2008! UMA RESPOSTA, SILÊNCIO NO ESTÚDIO E O RISCODE PERDER UMA ELEIÇÃO GANHA!
A renhida disputa pela prefeitura de Bogotá (eleições domingo dia 28/10) sofreu uma mudança nos últimos dias. O candidato do prefeito Samuel Moreno abriu 16 pontos de vantagem sobre o ex-prefeito Peñalosa. Esta semana veio o debate final e numa pergunta do ex-prefeito Mockus, Moreno tropeçou, e produziu uma comoção que pode ter comprometido sua eleição. A pergunta foi: – Você aceitaria comprar 50 votos para evitar que a cidade caia na mão de quem comprou 50 mil votos – você o faria? Moreno respondeu: – Sim, sem dúvida. E fez-se um silêncio no estúdio. A eleição – ganha – está em risco.
Lula assina decreto que cria Empresa Brasil de Comunicação
Da Folha Online:
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou ontem o decreto que cria a EBC (Empresa Brasil de Comunicação) e aprova seu estatuto. O mesmo decreto também nomeou a jornalista Tereza Cruvinel para o cargo de diretora-presidente da EBC. A diretoria-geral ficará sob o comando de Orlando Senna, atual secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura. O decreto foi publicado no “Diário Oficial” da União desta quinta.
A EBC estará vinculada à Secretaria de Comunicação Social, chefiada pelo ministro Franklin Martins. Constituída como empresa pública, a nova empresa terá a finalidade de finalidade de prestar serviços de radiodifusão.
Em nota, a Presidência informa que a “EBC terá autonomia em relação ao governo federal para definir produção, programação e distribuição de conteúdo”. “A empresa deverá observar a complementaridade entre os sistemas privado, público e estatal, a pluralidade de fontes de produção e distribuição, e produzir com finalidades educativas, culturais, científicas e informativas. Além disso, terá como papel promover a cultura nacional e estimular a produção regional e a independente.” Leia mais aqui.
Uns e outros
De Nelson de Sá, colunista da Folha de S. Paulo:
Manchete do UOL, “Mesa livra Azeredo”. Da Folha Online, “Mesa livra Azeredo” e depois “PSDB aceita negociar CPMF após Mesa livrar Azeredo“. Do site do “Estado“, “Senadores livram tucano”. No portal G1 e Globo Online, “Ações na Zona Sul do Rio vão seguir” e “Cremerj admite furadeira doméstica em cirurgias”.Do “Jornal da Record”, “Senado manda arquivar processo contra Azeredo”. “Jornal Nacional”, nada. De outro lado, no blog de Lauro Jardim, “a iminente volta de um ressentido Salvatore Cacciola tem tirado o sono de muita gente”, mas “no mercado financeiro”. Assinante Folha, clique aqui para ler a íntegra da coluna Toda Mídia”.
BBC corta 1.800 empregos para enfrentar era digital
De Kate Holdon, da Reuters:
A BBC, rede pública britânica de mídia, anunciou nesta quinta-feira planos para cortar 1.800 postos de trabalho e integrar as operações de TV, rádio e Internet com o objetivo de enfrentar a mudança para a era digital. A rede, que é sustentada pelos britânicos para “informar, educar e entreter”, disse que 2.500 mil vagas serão fechadas, mas outros postos serão abertos para criar novas posições que ofereçam conteúdo onde e quando queira a audiência. “A mídia está se transformando, a audiência está se transformando”, disse o diretor-geral da BBC, Mark Thompson, aos funcionários.
O departamento de notícias será o mais afetado pelas mudanças, após quase 4.000 cortes anunciados em 2005. A maior parte dos empregos será fechada antes do prazo de 2012-2013 definido pelo plano. Os funcionários dizem que o clima na BBC está terrível e os sindicatos, temendo perda de qualidade do conteúdo da rede, tem ameaçado com greves.
O panorama da mídia tem se transformado na última década, com a audiência mais jovem passando mais tempo na Internet e deixando de lado fontes mais tradicionais como a BBC. A corporação, financiada por um imposto cobrado sobre as residências com televisores na Inglaterra, afirmou que precisa se adaptar para continuar a ser uma fonte de informação relevante. A BBC lançou novos serviços de TV, rádio e Internet para atrair mais audiência. Leia mais aqui.
Anônimo
De Sonia Racy, colunista de O Estado de S. Paulo:
De uma personalidade de língua afiada: “A Veja bem que tentou derrubar Renan Calheiros, mas quem conseguiu mesmo foi a Playboy”. Para ler a coluna, clique aqui.
De elite
De Nelson de Sá, colunista da Folha de S. Paulo:
A Globo até a tarde contava três mortos, “entre eles um menino de quatro anos”, depois o UOL entrou com “ao menos nove”, já em manchete. E a Folha Online com 12, também a manchete nos telejornais.Mas foram as imagens e sua edição, a partir do fim do dia na Globo, que tornaram a ação um espetáculo. “Uma criança e um policial morreram”, disse Fátima Bernardes, na ação “que deixou outros dez mortos, todos bandidos, segundo a polícia”. Nas cenas, em fuga, “dois traficantes armados”, segundo a âncora.Já o “Brasil Urgente”, falando em “guerra”, afirmou que os dez mortos eram “criminosos”. E escancarou que “o Core”, que comandou a operação, “equivale ao Bope”, a tropa de elite do filme. Coincidência ou não, editou longa reportagem sobre o Core feita dias antes.No início da noite, na manchete do Terra, “Mesmo morrendo criança, não há alternativa, diz secretário”. Assinante Folha, leia mais aqui.
Governo paralisa concessões educativas
De Daniel Castro, colunista da Folha de S. Paulo:
O governo federal praticamente suspendeu a distribuição de concessões de TVs educativas, que funcionam como moeda política. A suspensão só não foi total porque nos últimos anos foram concedidas “três ou quatro” TVs para universidades públicas, segundo o Ministério das Comunicações. Há dezenas de pedidos de canais educativos parados no ministério. Quase todos têm a intermediação de algum político. Esses canais, embora de baixa potência, são muito visados porque interpreta-se que não precisam de concorrência pública e são distribuídos gratuitamente -ao contrário das TVs comerciais. Há centenas deles em operação pelo país, outorgados a fundações nem sempre educativas, com programações muito pouco educativas. O governo paralisou a distribuição porque há pelo menos duas decisões judiciais contrárias. Na semana passada, a juíza federal Denise Avelar, de Araraquara (SP), determinou em sentença a cassação do canal 17 local, outorgado em 2002 à Fundação Educativa e Cultural Julius August Marischen. Para a juíza, canais de TV, inclusive educativos, só podem ser outorgados por meio de licitação, como prevê o artigo 175 da Constituição. Mas, apesar dessa norma constitucional, o governo vinha se amparando no decreto 236/67, segundo o qual “a outorga de canais para televisão educativa não dependerá de publicação de edital”. Assinante Folha, leia aqui.
Jornalista alemã é expulsa de programa de TV
Do Portal Imprensa:
A jornalista Eva Herman, estrela de TV e apresentadora do telejornal noturno da primeira rede de TV pública alemã entre 1989 e 2006, está no centro de uma polêmica no país. Há alguns dias, ela foi expulsa de um programa de TV de grande audiência por fazer declarações sobre as virtudes da política familiar de Hitler e de usar expressões nazistas.
Johannes Kerner, apresentadora de um programa de entrevistas da ADF, a segunda maior das redes de TV alemãs, a convidou gentilmente a se retirar do estúdio, depois que a jornalista empregou expressões nazistas e disse a outra convidada que estava ciente disso. “Mas, se utilizamos as rodovias construídas na era nazista, porque não posso mencionar os valores daquela era?”, argumentou.
Desde então, segundo texto publicado pelo La Vanguardia, a polêmica não parou de crescer. Todos os dias o Bild, diário populista de maior tiragem na Alemanha e Europa, traz artigos sobre Herman. Esta não é a primeira vez que a jornalista se torna destaque na mídia. Em setembro, ela perdeu o emprego na TV pelo mesmo motivo que foi expulsa do programa. Leia mais aqui.
Entrevista de Dirceu na TVE ganha destaque no ‘DO’ baiano
De Luiz Francisco, da Folha de S. Paulo:
O deputado federal cassado e ex-ministro José Dirceu ganhou destaque no “Diário Oficial” da Bahia. Em sua edição de anteontem, na primeira página, há uma fotografia do petista para anunciar a primeira parte de uma entrevista que seria veiculada ontem à noite no programa “Provocações”, na TVE (emissora do governo estadual). A segunda parte está prevista para ir ao ar na próxima quarta-feira.
Apontado pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, como um dos responsáveis pelo mensalão, Dirceu teve sua entrevista contemplada com um texto jornalístico na contracapa do “Diário Oficial”. Não há referência ao mensalão.
O texto destaca que José Dirceu “já foi condenado e cumpriu pena”. “Dirceu, que é advogado, comenta acusações contra ele e diz que nunca conseguiram provar nada contra sua pessoa.”
O secretário de Comunicação da Bahia, Robinson Almeida, disse que o critério para a publicação foi “jornalístico”. “Deixamos a última página para divulgar programações culturais do Estado.” Assinante Folha, leia aqui.
Sony deixa de fabricar TVs de tubo no País
Aparelho com monitor de plasma ou cristal líquido começa a substituir modelo de tubo no Brasil
De Renato Cruz e Márcia De Chiara, de O Estado de S. Paulo:
A TV com monitor de plasma ou de cristal líquido (LCD, na sigla em inglês) começa a aposentar a TV de tubo no País, repetindo o movimento que começou na década de 70 de substituição da televisão preto e branco pela TV a cores. A japonesa Sony será a primeira companhia a desativar a produção no Brasil do televisor com tubo de imagem convencional (CRT). Até o fim do ano que vem, a empresa deve passar a fabricar no País somente televisores com tela de LCD, disse ontem o gerente de Produtos da Linha de Televisores da companhia, William Lima. “Tínhamos 15 modelos de tubo no começo do ano e hoje temos somente quatro”, afirmou o executivo. A empresa lançou novos modelos de LCD, aumentando de sete para 17 as opções na tecnologia.Além do Brasil, a Sony ainda fabrica TVs de tubo no México e na Ásia. “Ainda existe demanda”, afirmou Masakazu Sonoda, presidente de Televisão da Sony América Latina, sobre o mercado mundial. “Continuaremos a produzir televisores de tubo por talvez quatro ou cinco anos.” Leia mais aqui.
PF vai investigar a compra da Record pelo bispo Edir Macedo
Departamento Jurídico da Igreja Universal diz que soube do inquérito pelo site da Justiça Federal na internet, mas que a entidade ainda não foi notificada
De Elvira Lobato, da Folha de S. Paulo:
A Polícia Federal abriu inquérito, em São Paulo, para investigar o bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus. O objetivo do inquérito, segundo informação do sistema de consulta da Justiça Federal, é apurar supostos indícios de crimes contra a fé pública e de falsidade ideológica. A investigação teve início no Dia 4 e tem prazo de 90 dias, prorrogável, para conclusão.
O departamento jurídico da Igreja Universal do Reino de Deus disse que soube do inquérito pelo site da Justiça Federal na internet, mas que a entidade não foi notificada, não teve ainda acesso aos autos e desconhece o motivo da investigação.
O inquérito, segundo apurou a Folha, nasceu de representação feita, em 2005, pelo ex-deputado estadual Afanásio Jazadji, que reabre a discussão sobre a origem dos recursos usados por Edir Macedo na compra da Rede Record.
O ex-deputado entregou ao Ministério Público Federal cópia da declaração que Macedo assinou ao sair do Brasil, de mudança para os Estados Unidos, em 2003, na qual afirmou que teve rendimento tributável de apenas R$ 8.289,60 em 2002, quando já era acionista controlador da Record.
Jazadji juntou à representação cópia de declaração do advogado da Iurd Rodrigo Pereira Adriano, de um processo existente na 39ª Vara Cível de São Paulo, em que afirma que o bispo Macedo não tem “”vínculo jurídico ou estatutário” com a Igreja Universal”, e que tampouco faz parte da direção da entidade no Brasil.
Com base nos dois documentos, Jazadji acusou o líder da Universal de se apropriar de recursos da igreja para construir patrimônio pessoal em empresas de mídia.
Macedo e a mulher, Ester, são os únicos proprietários da Record de São Paulo. A emissora é a cabeça de rede da Record e também figura como acionista minoritária de várias outras emissoras do grupo.
A acusação é de que o bispo teria se apropriado de patrimônio (as emissoras de rádio e de TV) construído com recursos doados por fiéis, supostamente para causas religiosas e assistenciais.
Em entrevista à Folha, publicada no sábado, o bispo Macedo disse que a Iurd é apenas cliente da Record (aluga espaço na programação na madrugada) e que a igreja paga à Record e esta paga impostos ao governo. No entanto, esquivou-se de dizer quanto a Iurd investe na emissora e de como pagou pela compra da Record. Leia mais aqui. Assinante Folha, leia aqui.
Globo põe fogo no mundo

Record vende novelas para Rússia e Bulgária
De Keila Jimenez, de O Estado de S. Paulo:
Contratos longos, de cinco anos, para o fornecimento de duas novelas ao ano. Esse foi o tipo de negócio que a Record fechou na MipCom, feira de produtos televisivos, realizada em Cannes, na semana passada. ”Foi nosso melhor ano em vendas no evento, nunca abrimos tantas frentes de negociação e selamos tantos acordos importantes”, comemora o diretor de Vendas e Assuntos Internacionais da Record, Delmar Andrade. ”Pela primeira vez, estamos negociando com a Bulgária, com o Azerbaijão e com a Rússia. Eles estão interessados em nossas novelas.” Além das conversas com novos países, a emissora consolidou contratos de fornecimento de conteúdo com clientes mais antigos, como Honduras, Guatemala, Costa Rica, Venezuela, Chile e Paraguai. ”Também estamos negociando novelas com a América do Norte, mas não posso adiantar nada ainda, pois tenho um forte concorrente”, fala Delmar, referindo-se à Globo, que já bate cartão na MipCom há anos. Além de novelas, a Record também comercializou na feira edições do Repórter Record e do Selvagem ao Extremo. Leia aqui.
Estadão reformula ‘Direto da Fonte’; ‘Persona’ é extinto
De Sonia Racy, colunista do “Direto da Fonte”, de O Estado de S. Paulo:
A Direto da Fonte mudou. Reformulada, amplia seu foco e passa a ser publicada neste espaço, que foi ocupado com competência e elegância, durante 14 anos, por Cesar Giobbi e seu Persona. Giobbi, aliás, está partindo para vôo solo. Monta um site próprio, cuja modelagem está guardada a sete chaves. A ele desejamos toda sorte do mundo. Clique aqui para ler a íntegra da coluna.
Cansei 2

De Nelson de Sá, da coluna “Toda Mídia”, da Folha de S. Paulo:
Não foi bem o showmício de OAB-SP, Fiesp e Associação Comercial, na cobertura do “Jornal Nacional” à home page do UOL e outros sites, ontem.Contra a previsão de público de milhões, dos organizadores, Fátima Bernardes contou 7 mil “neste momento”, diante de imagens nada conscientes dos cantores e do público em festa. No destaque do UOL, com foto, foram “só 15 mil”. Assinante Folha, leia mais aqui.
Imprensa portuguesa entre as dez mais livres do mundo
De Inês David Bastos, do jornal português Diário de Notícias:
A Eritreia ultrapassou este ano a Coreia do Norte e pontuou-se, pela primeira vez, como o país com menos liberdade de imprensa, segundo a classificação mundial ontem divulgada pelos Repórteres Sem Fronteiras (RSF). “A imprensa privada desapareceu e os poucos jornalistas que ousaram criticar o regime foram presos”, alerta a RSF, a respeito da Eritreia, o mais jovem país africano.A organização RFS analisa todos os anos 169 países. A Eritreia surge nesta última posição. Atrás dela estão, por esta ordem, a Coreia do Norte, o Turcomenistão, o Irão, Cuba, a Birmânia, China, o Vietname e Laos.Portugal está no lado oposto, mantendo-se no top 10, precisamente na 10.ª posição, tal como em 2006. A “medalha de ouro” foi para a Islândia, a de prata para a Noruega e a de bronze para a Eslováquia. Aliás, os primeiros 14 países da classificação são europeus. A Espanha ganhou algum terreno, passando, ainda assim, da posição 41.ª para a 33.ª. Os membros do G8 ganharam também algum terreno, excepto a Rússia, que se manteve na 144.ª posição. Dos países membros da União Europeia, a Bulgária (51.ª) e a Polónia (56.ª) continuam a ser os mais problemáticos. Brasil, Turquia, Timor-Leste e Moçambique desceram de posição. Leia aqui.
Franklin Martins prevê cortes na comunicação
De Fábio Zanini, enviado da Folha de S. Paulo a Brazza Ville, Congo:
O governo federal encomendou à Fundação Getúlio Vargas um estudo sobre a estrutura de pessoal da TV Pública que pode resultar no enxugamento do quadro de funcionários da estatal de comunicação, hoje com 2.800 funcionários. “É uma consultoria para fazer uma comparação com a estrutura privada que existe no mercado”, disse o ministro Franklin Martins (Comunicação Social).O estudo deve mostrar onde há sobreposição de funções, onde deve haver corte, contratação e elevação de salário. Sobre o quadro de pessoal, o ministro disse que “acha que vai diminuir, mas tem que ver o diagnóstico”. Afirmou que a TV, cuja implantação está marcada para 2 de dezembro, demorará ao menos mais seis meses para começar na prática. Assinante Folha, leia mais aqui.
Maioria desconhece projeto da TV pública
Do Comunique-se:
Segundo a 90ª Pesquisa CNT/Sensus, divulgada hoje e realizada no início deste mês, o governo terá ainda muito trabalho para popularizar a TV Brasil: 67,6% dos entrevistados não ouviram falar da nova rede TV pública. Vinte e um por cento não são estranhos ao tema, mas somente 9,8% têm acompanhado o processo de criação. Porém, 74% dos entrevistados concordam com a criação da nova TV pública, um crescimento significativo em relação à pesquisa anterior, em que só 22,9% concordavam. O número de descontentes também cresceu: de 5,7% para 18,4%. Os demais não sabem ou não opinaram.
Internet à frente dos impressos
A pesquisa também avaliou o que o brasileiro pensa sobre a imprensa. Pouco mais de oitenta e um por cento a consideram importante na formação de opinião. Mais de oito por cento não a consideram importante e 8,1% são indiferentes à imprensa. Sobre veículo utilizado como fonte de informação, a televisão tem amplo domínio, como opção para 76,1% dos participantes. O rádio concentra 8,1% das respostas. A internet surge à frente dos jornais (6,4%) e revistas (0,7%), com 7,1%. Leia mais aqui.
Os conselheiros
De Mônica Bergamo, colunista da Folha de S. Paulo:
Já está sobre a mesa do presidente Lula a lista de nomes sugeridos para integrar o conselho da TV Pública. Nela, algumas surpresas: o ex-governador de São Paulo, Cláudio Lembo, estrela do oposicionista DEM, o psicanalista Jurandir Freire Costa, o ex-jogador Tostão, a cineasta Tizuka Yamasaki e os já aventados MV Bill, rapper, e Nelida Piñon, escritora. Os convites devem ser feitos esta semana.
Dois nomes acabaram saindo da lista de possíveis convidados para o conselho: Chico Buarque de Hollanda e o cineasta Eduardo Coutinho. O governo concluiu que Chico não aceitaria o convite; já Eduardo Coutinho, caso aceitasse, ficaria proibido de exibir seus documentários na TV Pública. Assinante Folha, leia mais aqui.
Corrupção é perdoável com arrependimento, diz bispo
Para Edir Macedo, só a “blasfêmia contra o Espírito Santo” não é passível de perdão
Líder da Universal e dono da Rede Record é favorável à legalização do aborto, pois isso “diminuiria em muito a violência” que há no Brasil
De Daniel Castro, colunista da Folha de S. Paulo:
Líder da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) e dono da Rede Record, o bispo Edir Macedo Bezerra, 62, que tinha uma postura defensiva em relação à imprensa, concedeu entrevista à Folha por e-mail. Sua atitude “silenciosa” teve início em 1995, quando a Globo exibiu “Decadência” -minissérie que retratava um pastor corrupto, um ataque ao mais barulhento dos evangélicos.
Neste ano, para lembrar os 15 anos de sua prisão, sob a acusação de charlatanismo, curandeirismo e estelionato, Macedo resolveu dar as caras. Autorizou uma biografia e um documentário, a ser exibido amanhã pela Record. Há duas semanas, apareceu ao lado de Luiz Inácio Lula da Silva, na inauguração da Record News, o primeiro canal de notícias aberto (e gratuito) do país.
A biografia começa a chegar na segunda-feira às livrarias. “O Bispo – A História Revelada de Edir Macedo” (editora Larousse) foi escrita por Douglas Tavolaro, diretor de jornalismo da Record, e por Christina Lemos, repórter da emissora. Em formato de reportagem, o livro sai com uma tiragem recorde de 700 mil exemplares (o dobro do mais novo “Harry Potter”, por exemplo). Com 286 páginas, custa R$ 39,90.
O primeiro capítulo reconstitui a prisão em 1992. Para tanto, Macedo se dispôs a voltar ao distrito policial em que ficou detido durante 11 dias. No livro, ele explica porque “comemora” a prisão: os dias de cadeia representaram sofrimento mas também uma guinada de sua igreja. “Eu sabia que a prisão me traria enormes benefícios. Sabe por quê? Porque eu era a vítima, e a vítima sempre ganha. Nunca o algoz.”
Macedo concordou em dar entrevista a um veículo que não fosse de seu conglomerado de comunicação (além da Record, seu grupo detém dezenas de emissoras de TV, rádio e jornais) sem restrições a assuntos.
A entrevista, porém, foi feita por e-mail, intermediada por executivos da Record e membros da igreja. De acordo com seus assessores, Macedo estava fora do país.
Na entrevista a seguir, Macedo explica porque defende o aborto, bandeira que levantou durante a visita do papa ao Brasil, em maio. Diz que aceitaria um filho homossexual e que é a favor do uso de embriões pela medicina. Fala pouco de suas atividades políticas e muito da crença de que um dia sua Record vencerá a Globo.
FOLHA – O número de evangélicos vem crescendo ano a ano no Brasil, já são 15% da população. A que o sr. atribui esse fenômeno?
EDIR MACEDO – O número de evangélicos cresce porque o Evangelho oferece muito além de religião. Oferece qualidade de vida e vida em abundância.
FOLHA – O sr. tem planos de ajudar a eleger um evangélico à Presidência já nos próximos pleitos? O senador Crivella será candidato à Presidência em 2010 ou 2014? O sr. nunca pensou em ser candidato?
MACEDO – Depende do evangélico. Não sei [sobre Crivella candidato]. Não [pensou em ser candidato].
FOLHA – Há 20 anos, o sr. imaginava que um dia faria aliança política com o PT, como ocorreu em 2006, em torno da reeleição de Lula?
MACEDO – Nunca fiz aliança política com alguém. Apenas apoiei as pessoas em que eu acreditei.
FOLHA – De zero a dez, que nota dá ao governo Lula?
MACEDO – Quem sou eu para julgar o presidente da República?
FOLHA – Alguns políticos então da base da Igreja Universal, como o bispo Rodrigues, foram atingidos em cheio pelos escândalos do primeiro mandato de Lula. A corrupção não é um pecado imperdoável?
MACEDO – Jesus ensina que o único pecado imperdoável é a blasfêmia contra o Espírito Santo. Para os demais, há perdão, se houver arrependimento.
FOLHA – Para o papa Bento 16, o problema fundamental do mundo contemporâneo é uma crise de valores, onde o homem tenta ocupar o lugar de Deus. O sr. concorda com essa afirmação? Por quê?
MACEDO – Em alguns casos, acredito que ele tenha razão. Porque alguns mortais têm pensado que estão acima do bem e do mal. Mas, depois de mortos, o máximo que lhes resta é uma placa na praça onde os cães fazem xixi.
FOLHA – Em sua biografia, o sr. defende o aborto. Atualmente, a Record e a Record News exibem campanha pelo aborto. Por quê?
MACEDO – Sou favorável à descriminalização do aborto por muitas razões. Porém, aí vão algumas das mais importantes: 1) Muitas mulheres têm perdido a vida em clínicas de fundo de quintal. Se o aborto fosse legalizado, elas não correriam risco de morte; 2) O que é menos doloroso: aborto ou ter crianças vivendo como camundongos nos lixões de nossas cidades, sem infância, sem saúde, sem escola, sem alimentação e sem qualquer perspectiva de um futuro melhor? E o que dizer das comissionadas pelos traficantes de drogas? 3) A quem interessa uma multidão de crianças sem pais, sem amor e sem ninguém? 4) O que os que são contra o aborto têm feito pelas crianças abandonadas? 5) Por que a resistência ao planejamento familiar? Acredito, sim, que o aborto diminuiria em muito a violência no Brasil, haja vista não haver uma política séria voltada para a criançada.
FOLHA – “Deus deu a vida e só Ele pode tirá-la”, segundo a Bíblia. Não é contraditório um líder cristão defender o aborto?
MACEDO – A criança não vem pela vontade de Deus. A criança gerada de um estupro seria de Deus? Não do meu Deus! Ela simplesmente é gerada pela relação sexual e nada mais além disso. Deus deu a vida ao primeiro homem e à primeira mulher. Os demais foram gerados por estes.O que a Bíblia ensina é que se alguém gerar cem filhos e viver muitos anos, até avançada idade, e se a sua alma não se fartar do bem, e além disso não tiver sepultura, digo que um aborto é mais feliz do que ele (Eclesiastes 6.3). Não acredito que algo, ainda informe, seja uma vida.
FOLHA – Qual seria sua reação se descobrisse que tem um filho homossexual?
MACEDO – Decepcionado. Mas não o rejeitaria de forma alguma. Tentaria ajudá-lo da melhor forma possível. Porque, se Deus respeita a livre opção de vida da criatura humana, por que não o faria eu?
FOLHA – O sr. é a favor do uso de embriões humanos pela medicina?
MACEDO – Sou a favor, sim.
FOLHA – Quanto a Igreja Universal investe por ano na Record? A emissora sobreviveria sem o dinheiro da igreja?
MACEDO – A Iurd é tão-somente uma cliente da Record, assim como a Igreja Católica é da Globo, da Cultura e tantas outras. A diferença é que a Iurd paga à Record e esta paga seus impostos ao governo. Eu creio que a Record sobrevive sem a Iurd.
FOLHA – O sr. acha mesmo possível a Record bater a Globo fazendo programação semelhante à da Globo?
MACEDO – O “Hoje Em Dia” copia o quê da Globo? E o “Tudo a Ver”? As novelas não são criações da Globo. Ela os copiou das mais antigas emissoras de TV e rádio. A antiga Rádio Nacional, Mayrink Veiga e outras mais tinham novelas e programas humorísticos. Portanto, dizer que copiamos a Globo é, no mínimo, falta de conhecimento histórico.Quanto à possibilidade de bater a concorrente, basta olhar o passado. Quando compramos a Record, ela estava à beira da falência. Naquela época, você perguntaria da possibilidade de batermos o SBT? Quem diria que a Gol compraria a Varig? Portanto, eu creio muito na nossa capacidade de vencê-los.
FOLHA – O que quis dizer com “cutucar o fígado até ela cair”, referindo-se à Globo?
MACEDO – Na luta contra Golias, Davi usou uma pedrinha. Numa luta de boxe, a desvantagem do menor pode tornar-se em vantagem. Nesse caso, a opção é ir batendo no fígado do maior.
FOLHA – O sr. tem ódio da Globo? Como classifica a cobertura que ela fez de sua prisão, em 1992, e a exibição da minissérie “Decadência”?
MACEDO – Eu não tenho ódio de ninguém, senão do diabo e seus espíritos. Há mais de três décadas que não assisto à Globo. Apenas recebo informações de terceiros do seu trabalho. Até porque não sou idiota, como julgou seu diretor de jornalismo William Bonner aos que o vêem.
FOLHA – Como um funcionário da Lotérica do Rio se tornou um milionário? O sr. seria rico como é se não fosse o líder da Igreja Universal?
MACEDO – Eu tinha dois anos na Lotérica do Rio quando tive um encontro com meu Senhor e Salvador Jesus Cristo. A partir de então, aprendi que a riqueza de um homem não consiste nos seus bens materiais. Nesse aspecto, chamar-me de milionário é, no mínimo, um insulto. Porque, como filho e parceiro do Deus Vivo, ninguém neste mundo pode se considerar mais rico do que eu. Pode até ser igual, mas não mais.Quanto ao sucesso econômico a que você se refere, posso lhe garantir que até hoje ninguém contou meu dinheiro para me considerar assim. Mas, conforme o dito popular: fama de rico e valente não se desmente, sigo caminhando e colocando em prática a sabedoria, inspiração e coragem que vem do Alto e conquistando para a Sua exclusiva glória.
FOLHA – Como o sr. pagou a Record?
MACEDO – Tudo está devidamente declarado no Imposto de Renda.
FOLHA – O sr. recebe salário da igreja? Quanto?
MACEDO – Eu vivo de ajuda de custo da igreja e direitos autorais.
FOLHA – Por que o sr. não mora mais no Brasil?
MACEDO – Porque meu trabalho está além das fronteiras. Assinante Folha, leia mais aqui, aqui, aqui e aqui.
Inesquecível Autran
Paulo Autran e Fernanda Montenegro, em momento único da teledramaturgia brasileira. Quem não lembra da guerra gastronômica de Bimbo e Charlô, na novela “Guerra dos Sexos” (1983), da Rede Globo.
Morreu Paulo Autran, 85
Lula obriga TV paga a passar canal público
De Elvira Lobato, da Folha de S. Paulo:
As operadoras de TV paga serão obrigadas a retransmitir a TV pública criada pelo governo Lula. A imposição foi mal recebida pelas empresas, principalmente pelas operadoras que atuam em cidades pequenas do interior e que já antevêem um aumento em seus custos.
A medida provisória que criou a Empresa Brasil de Comunicação determina, no artigo 29, que as prestadoras de serviço de TV por assinatura, independentemente da tecnologia que utilizam, deverão reservar, gratuitamente, dois canais para o Poder Executivo Federal: um para retransmitir a TV pública e outro para a transmissão de “atos e matérias de interesse do governo”.
Ao estender a obrigação a todas as tecnologias de TV paga adotadas no Brasil, a MP englobou os sistemas de TV a cabo, via satélite (como a Sky) e por rádio, também conhecidos como MMDS. Há, no país, 68 operações de MMDS.
O diretor-executivo da ABTA (Associação Brasileira de Televisão por Assinatura), Alexandre Annemberg, qualificou a obrigação de confisco. Até agora, só as operadoras de TV a cabo estavam obrigadas a retransmitir canais estatais, como as TVs do Senado, do Judiciário e de Assembléias.
As pequenas operadoras de MMDS oferecem de 15 a 16 canais aos assinantes. Segundo Annemberg, ao reservar dois canais para o Executivo Federal, elas perderão competitividade diante dos sistemas concorrentes, via satélite ou a cabo, que chegam a oferecer mais de 100 canais.
A MP será examinada pela área jurídica da ABTA na segunda-feira. Segundo Annemberg, o setor foi apanhado de surpresa. “A MP tem aplicação imediata, mas esperamos poder discutir o assunto quando ela for examinada pelo Congresso.”
A Associação NeoTV, que reúne 55 operadoras de TV por assinatura, também reagiu à obrigação criada pela MP. Segundo Neuza Risete, diretora-geral da entidade, assim como as operadoras de MMDS, as empresas de TV a cabo analógicas serão oneradas, porque a inclusão de novos canais na grade exige mudança nos equipamentos instalados nos postes. Assinante Folha, leia aqui.
TV do governo terá servidor sem concurso
MP permite que funcionários chamados com análise de currículo trabalhem na emissora por 36 meses; quantidade não foi definida
Para o ministro Franklin Martins, conselho curador vai evitar que a futura emissora vire “alvo político do governo de plantão”
De Letícia Sander, da Folha de S. Paulo:
A medida provisória que criou ontem a nova rede pública de TV permitirá a contratação de servidores sem concurso público, com a análise do currículo do profissional, por um período de 36 meses. Isso poderá ser feito durante 90 dias a partir da constituição da nova empresa que vai gerir a TV.
A quantidade de funcionários que poderão ser chamados à nova emissora por meio desse mecanismo não está explicitada na medida provisória.
O texto apenas menciona que “os quantitativos” desses funcionários “temporários” serão aprovados pelo ministro da Comunicação Social, Franklin Martins. A MP diz ainda que o objetivo das contratações é o “atendimento de necessidade temporária de excepcional interesse público pelo prazo improrrogável de 36 meses” e que se trata de pessoas “imprescindíveis” ao funcionamento inicial da empresa.
Outro artigo afirma que a TV pública poderá contratar, “em caráter excepcional e segundo critérios fixados pelo Conselho de Administração, especialistas para a execução de trabalhos nas áreas artística, audiovisual e jornalística, por projetos e prazos limitados”.
A futura presidente da TV, a jornalista Tereza Cruvinel, disse que a medida atenderá apenas a casos de pessoas com “formação muito específica”.
“A MP em algum momento abre a possibilidade de contratos de pessoas com formação muito específica, um artista, um profissional de TV muito específico, para atender as suas necessidades temporárias, sobretudo na implantação”, disse Cruvinel.
A Folha apurou que Eduardo Castro, ex-Bandeirantes e hoje assessor especial de Franklin Martins, poderá ser chamado à TV pública e deverá ser enquadrado em uma das duas regras. Ele deverá assumir a chefia de redação, e estará diretamente subordinado a Helena Chagas (direção de jornalismo). Castro auxiliou Franklin nos últimos meses no processo de elaboração da TV pública.
Na entrevista de ontem, Cruvinel e o ministro esclareceram que a nova TV incorporará os funcionários da Radiobrás, estatal federal que hoje cuida dos serviços de comunicação e que já tem em seus quadros técnicos e profissionais da área de jornalismo.
Conselho curador
Ambos argumentaram que o conselho curador, a ser composto por 20 membros, evitará que a emissora seja chapa-branca e vire “alvo político do governo de plantão”. Na prática, entretanto, 19 dos 20 conselheiros que terão a incumbência de manter a independência da TV serão escolhidos pelo presidente da República.
“É a questão do ovo e da galinha… Se não for o presidente, quem vai indicar?”, argumentou Franklin, ao final da entrevista coletiva de ontem.
A medida provisória que cria a Empresa Brasil de Comunicação, gestora da TV pública, foi publicada ontem no “Diário Oficial”. A empresa será vinculada ao ministério ocupado hoje por Franklin. A MP prevê autonomia da empresa em relação ao governo federal para definir a produção, programação e distribuição de conteúdo.
“É muito legítima a preocupação se não haverá algum tipo de interferência governamental na programação, visando a ter algum tipo de lucro político ao governo de plantão. Por isso mesmo -como não se quer confiar apenas na virtude dos homens- é que se criou a idéia do conselho curador”, disse ele, acrescentando que o risco de manipulação existe tanto na televisão pública quanto na comercial.
O conselho curador terá um total de 20 membros. Um será representante dos funcionários, o único a não ser escolhido pelo presidente da República. Haverá ainda 4 ministros e 15 representantes da sociedade no conselho. Os nomes devem ser anunciados dentro de aproximadamente 15 dias. A sugestão de congressistas de que o conselho tivesse um parlamentar em seus quadros não foi acatada. A MP será encaminhada agora para o Congresso, que terá de apreciá-la. Assinante Folha, leia mais aqui.
Renato Russo morreu há 11 anos

“Ai, eu fiquei com uma inveja!”

De Mônica Bergamo, colunista da Folha de S. Paulo:
A senadora Ideli Salvatti (PT-SC), líder do PT no Senado, foi flagrada anteontem, em plena sessão legislativa, vendo fotos do ensaio de Mônica Velloso, a mãe da filha do senador Renan Calheiros, na “Playboy”. Ela falou à coluna:
FOLHA – Como se sentiu ao ser flagrada vendo fotos da “Playboy”?
IDELI SALVATTI – Deixa eu lhe dizer, é assim, ó: a gente tem lá no Senado um computador na mesa [de cada parlamentar]. E é normal, durante a sessão, você acessar o noticiário, sites, blogs e tal. O [blog do jornalista Ricardo] Noblat estava fazendo uma transmissão online da sessão, do nosso bate-boca lá no plenário, meio que uma retransmissão de corrida de cavalo, né? Eu estava lendo. E de repente me aparece três fotos da Mônica Veloso! (rindo) Foi um constrangimento! (mais risos) E eu louca para tirar as fotos [da tela do computador], e só aparecia mais fotografia, e mais fotografia, né? E os senadores atrás de mim, cacarejando: “Ideli! Ideli! Os repórteres estão tirando foto. Ideli…”. Foi um constrangimento geral! O Senado pegando fogo, um bate boca, entendeu… Mas aí eu vi que tinha horrores de gente olhando as fotos, no Senado inteiro, né? Então, relaxa e goza. Fazer o quê?
FOLHA – Por que a senhora se sentiu tão constrangida?
IDELI – É o tipo da coisa que… Como é que eu vou lhe dizer? Você vê fotografias desse tipo, mas quando você se sente observada vendo fotos desse tipo, não tem jeito de não ficar constrangida, né? Ainda mais num ambiente onde… Sabe, aquela coisa do mínimo de sobriedade do cargo, da função. Não é bem o lugar para você ter na tua frente, na telinha do computador, três fotos da moça, né?
FOLHA – O que achou do ensaio?
IDELI – Ai, eu fiquei com uma inveja! (rindo) Ela é muito linda, né? É bonita, muito bonita.
FOLHA – A senhora concorda com aquelas colocações de pessoas que, “como mulher”, desaprovam a decisão de Mônica de fazer o ensaio?
IDELI – Eu fui criada com o nu em casa, com muita naturalidade, tanto na minha infância quanto com meus filhos. Ninguém teve preconceito de andar nu em casa, de trocar a roupa, tomar banho, essas coisas todas. Eu não tenho preconceito, nada, entende? Mas quando o corpo começa a servir para questão comercial ou política, eu não posso deixar de dizer que é constrangedor. Assinante Folha, leia mais aqui.
Substituta da RCTV perde
audiência na Venezuela
De O Globo de hoje:
CARACAS – Quando o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, decidiu a partir do dia 27 de maio não renovar a licença da Rádio Caracas Televisão (RCTV), o anti-chavismo perdeu seu minarete mais alto: uma emissora com mais de 30% de audiência que chegava a todas as regiões do país. O governo substituiu a RCTV pela Fundação Televisão Venezuelana Social (Teves), que segundo Chávez não tem espírito lucrativo e se baseia na independência. Como sua antecessora, a Teves chega a todos os vilarejos do país, mas é uma TV pública sem público.
Os índices de audiência da emissora são um fracasso. Mesmo quando ganhou os direitos de transmitir com exclusividade a Copa América, em junho e julho, que aconteceu na Venezuela, a audiência não ultrapassou os modestos 8,9%, segundo a empresa de sondagem de audiência AGB, única do gênero no país. E não parou de despencar desde então. Em agosto, caiu para 6%, em setembro para 4,6% e no início de outubro, segundo a empresa, estava em 3,6%. Assinante de O Glogo, leia mais aqui.
Heraldo Pereira vira primeiro
colunista negro da TV brasileira
Heraldo Pereira é o novo comentarista político do “Jornal da Globo”. Ele assumiu ontem a vaga deixada há quase um ano e meio por Franklin Martins, hoje ministro da Comunicação Social do governo Lula. Primeiro jornalista negro a apresentar o “Jornal Nacional”, ainda que apenas nas folgas de William Bonner e Fátima Bernardes, Pereira foi testado pela Globo nos últimos dois meses e meio. Repórter de política em Brasília, ele passou a fazer um trabalho misto, inserindo análises em suas apurações. Passou também a responder perguntas dos âncoras do “Jornal da Globo”. A cúpula do jornalismo da Globo gostou do resultado e decidiu entronizá-lo no cargo de colunista. Pesou também na escolha o fato de o jornalista ter fontes de informação em todos os partidos. O anúncio foi feito ontem à noite por Carlos Henrique Schröder, diretor da Central Globo de Jornalismo. Assim, Pereira é o primeiro comentarista político negro da Globo. Pereira deixará agora de fazer reportagens, para se dedicar à coluna diária. Fará entradas ao vivo de estúdio e responderá a perguntas dos apresentadores. E continuará dando plantões no “Jornal Nacional”. Assinante Folha, leia mais aqui.
Diário Oficial publica Medida Provisória que cria TV Pública
De Carolina Pimentel, da Agência Brasil:
Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou há pouco a medida provisória que cria a Empresa Brasil de Comunicação, mais conhecida como TV Brasil. A medida será publicada na edição de amanhã (11) do Diário Oficial da União, de acordo com a Secretaria de Imprensa da Presidência da República.
A nova rede surgirá a partir da união do patrimônio e das equipes da Empresa Brasileira de Comunicação (Radiobrás) com a Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp), que coordena a TVE do Rio de Janeiro. A nova estrutura dará origem a emissoras de televisão, rádio e internet.
A Radiobrás tem cinco emissoras de rádio, três de televisão, duas agências de notícias, serviços de clipping e o programa de rádio Café com o Presidente e os 25 primeiros minutos de A Voz do Brasil, relativo ao Poder Executivo. A Acerp comanda três emissoras de televisão, inclusive a TV Escola, com produção para o Ministério da Educação, e duas emissoras de rádio. Leia aqui.
Oscar Maroni move ação contra Band e Roberto Cabrini
De Cristiane Prizibisczki e Nathália Duarte, do Portal Imprensa:
Sob a alegação de uma edição tendenciosa de matérias exibidas nos dias 12 de junho e 31 de julho deste ano, pela Rede Bandeirantes de Televisão, o dono da casa Bahamas, Oscar Maroni, acaba de instaurar uma ação judicial contra a emissora e o jornalista Roberto Cabrini, a quem concedeu a entrevista geradora do processo.
A matéria apresentada por Cabrini se referia à casa Bahamas como uma “casa de prostituição de luxo”. Segundo o que alega o advogado de Maroni, Gianpaulo Scaciota, a referência teria sido utilizada como fundamento judicial para que a casa fosse fechada, o que justifica o pedido de uma indenização no valor de R$ 394 mil por danos emergentes.
Maroni solicita ainda uma indenização por lucros cessantes, referentes ao tempo por que a casa permanecer fechada – segundo o que apurou o Portal IMPRENSA, o valor da indenização para esse dano será apurado no decorrer do processo. O empresário solicita também uma indenização de R$ 5 milhões por danos morais causados pela acusação, valor que deve ser inserido no processo posteriormente. Leia mais aqui.
Em banca do Congresso,
‘Playboy’ esgota em 2 horas
TVs querem que “Tropa de Elite” vire série, diz diretor
da Folha Online
Perguntas sobre a violência como forma de resolver a criminalidade dominaram a entrevista do cineasta José Padilha, no “Roda Viva” (TV Cultura) desta segunda-feira (8). Ele acusou de adeptos do “patrulhamento ideológico” aqueles que apontam o filme “Tropa de Elite” como “fascista”. No final do programa, ele reconheceu a possibilidade do filme transformar-se em uma série de TV. “As televisões querem”, disse.
Questionado se a pirataria ajudou na divulgação da obra, ele respondeu, inicialmente, que não sabia. “Mas não dá para negar: ela popularizou o filme”, admitiu mais adiante. Leia mais aqui.
PT vai à Justiça para retomar mandato de Soninha
Do portal G1:
A Executiva Municipal do PT de São Paulo aprovou, em reunião realizada na noite desta segunda-feira (8), por unanimidade, encaminhar à Justiça Eleitoral um pedido para retomar o mandato da vereadora Sônia Francine, a Soninha. Ela trocou o partido pelo PPS no final de setembro.
A medida está respaldada na decisão dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que definiram, na quinta-feira (4), que os parlamentares que deixaram suas legendas após 27 de março deste ano estão sujeitos à perda dos respectivos mandatos. Os diretórios do PT em todos os níveis foram orientados a recorrer à Justiça Eleitoral para retomar os mandatos de parlamentares – vereadores e deputados. A decisão foi tomada na sexta-feira (5) pelo Diretório Nacional. Leiam mais aqui.
Soninha diz que entende o PT
De Roney Domingos, do G1:
A vereadora Soninha, que trocou o PT pelo PPS e agora corre o risco de perder o mandato, disse ao G1 nesta terça-feira (9) que considera “natural” a decisão da Executiva Municipal do PT de entrar na Justiça para reaver a cadeira que ela ocupa na Câmara.
Pré-candidata a prefeita pelo partido ao qual acaba de se filiar, ela afirma que se sentia cada vez mais distante do PT, mas ainda se identifica com a ex-prefeita Marta Suplicy (PT).
Recém-chegada ao bloco governista da Câmara, Soninha declara que não vê problemas em apoiar – e também criticar – o atual prefeito Gilberto Kassab (DEM). Ela revela que ficou surpresa e mudou radicalmente de opinião sobre o ex-prefeito e atual governador José Serra (PSDB). Leia mais aqui.
Brasil bate recorde de indicações
De Daniel Castro, colunista da Folha de S. Paulo:
O Brasil terá neste ano sete representantes na final do Emmy Internacional, o “Oscar B” da televisão mundial (o “Oscar A” é o Emmy só para a TV americana, disputado no mês passado).
A Globo emplacou cinco “nominees” (finalistas), também recorde da emissora. Irá disputar o Emmy Internacional de “programas de arte”, com “Por Toda a Minha Vida – Elis Regina”; de melhor ator, com Lázaro Ramos (por “Cobras & Lagartos”); melhor atriz, com Lilia Cabral (por “Páginas da Vida”); melhor comédia, com “Os Amadores”; e melhor filme para TV/minissérie, com “Antonia”.
Representarão o Brasil ainda “Mothern”, produção da Mixer para o GNT, na categoria série dramática, e “O Menino Maluquinho”, da TVE, em programa infantil. É a primeira vez que o país tem sete finalistas. Leia mais aqui.
História ’secreta’:

De Luiz Carlos Azenha, do blog Vi o Mundo:
Chama-se “Beyond Citizen Kane”. Foi legendado com falhas em inglês e traduzido com erros e omissões para o português. Mas nunca saiu do circuito alternativo e do escurinho da internet. O documentário, de Simon Hartog, da emissora pública britânica Channel Four, é de 1993. Tem, portanto, 14 anos de idade. Só um pouquinho mais novo do que o filho de Fernando Henrique Cardoso com a repórter Miriam Dutra, da TV Globo. Porém, essas duas informações são negadas ao público da província. É hipocrisia de Estado. Você se lembra quando não se falava a palavra “câncer”, mas “aquela doença?” E quando o aborto era proibido, embora praticado abertamente em clínicas chiques do Rio e de São Paulo? Toda a elite brasileira faz de conta que o filho de FHC não existe, porque ninguém quer perguntar quem pagou as contas dele e da mãe na Espanha. Toda a elite brasileira sabe que o Channel Four fez o documentário sobre Roberto Marinho – que, aliás, foi ao ar mais uma vez no Reino Unido um dia depois da morte do empresário brasileiro. Porém, nunca passou na TV brasileira. Em nenhuma TV brasileira. Não é alugado no Blockbuster. Nem está à venda nas lojas Americanas. Quem é que tem medo de informação? Será que uma das maiores empresas de comunicação do mundo tem medo de informação? Como eu não tenho e acho que ninguém deve ter medo de idéias, opiniões e informação, mesmo que não concorde com elas, reproduzi trechos do documentário. Dei prioridade aos personagens e ao que eles falam. Divirtam-se. E espalhem. Clique aqui para acessar os vídeos no blog do Azenha.
Jornal de R$ 0,25
é o que mais vende no Brasil
De Paulo Henrique Amorim, do Conversa Afiada:
Segundo dados do IVC (Instituto Verificador de Circulação), o jornal mais vendido no Brasil é o Super Notícia, de Minas Gerais. O tablóide custa R$ 0,25 e é o jornal que mais vende no Brasil desde agosto deste ano.
Com uma venda de 300 mil exemplares por dia, o Super Notícia superou a Folha de São Paulo, que era o jornal mais vendido do país com 299 mil exemplares por dia.
O diretor-executivo do Super Notícia, Teodomiro Braga, disse em entrevista a Paulo Henrique Amorim nesta segunda-feira, dia 08, que o consegue se manter com um preço de R$ 0,25 por exemplar, graças ao bom número de anunciantes.
Segundo Braga, o Super Notícias tem anunciantes como Casas Bahia, Magazine Luiza e Ponto Frio. “Todos os grandes anunciantes de varejo no Brasil, evidentemente, não perdem a oportunidade de anunciar num jornal que atinge tantos leitores. E a receita publicitária viabiliza a operação do jornal”, disse Braga.
O Super Notícia tem a maioria de seus leitores (52%) na classe C. O perfil do público é jovem e bem dividido entre homens e mulheres. O jornal é vendido em 507 cidades do estado de Minas Gerais. Clique aqui para ler a entrevista ou aqui para ouvir o áudio.
No ar, mais um
vice-campeão de audiência
De Marcelo Marthe, da revista Veja desta semana:
Nos últimos doze anos, Edir Macedo manteve-se longe dos holofotes. Líder da Igreja Universal do Reino de Deus e dono da Rede Record, ele se devotou a suas atividades religiosas e empresariais da maneira mais discreta possível desde que foi atingido por dois escândalos, em 1995. Um deles foi o “chute na santa”, a série de pontapés desferida em uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, pelo bispo Sérgio von Helde, num programa de sua emissora. O outro, a divulgação de um vídeo em que ensinava aos bispos de sua igreja, com palavras chulas, como arrecadar dinheiro dos fiéis. Mas agora Edir Macedo está de volta à cena. E com barulho. No próximo dia 15, lança uma biografia em que dá sua versão sobre as polêmicas que cercam sua vida. Há dez dias, ressurgiu no horário nobre da televisão para lançar o Record News, o primeiro canal inteiramente noticioso da TV aberta brasileira. Diante do presidente Lula e de autoridades como o governador de São Paulo, José Serra, ele não se limitou a celebrar o novo empreendimento.
Fez um discurso agressivo, referindo-se à líder de audiência do país, a Rede Globo, sem citá-la nominalmente: “Fomos injustiçados por muitos anos por um grupo de comunicação que tinha e mantém o monopólio da notícia no Brasil. Daí nosso desejo de dar fim a esse monopólio”. Na semana passada, a Record voltou à carga – por meio de um editorial em seu principal noticiário, acusou a rival de ter feito gestões para impedir a inauguração da Record News. A saída do casulo e o ânimo de briga têm razão de ser. Além do novo canal de notícias, Macedo celebra feitos consideráveis da Rede Record, a jóia central de seu império de comunicações. Em agosto, a emissora tornou-se a segunda rede brasileira em ibope, superando o SBT em todas as faixas de horário. Além disso, de três anos para cá a Record dobrou seu faturamento publicitário – que já supera a marca de 1 bilhão de reais.
Quem olha os números de audiência nestas páginas constata que ainda existe uma enorme distância entre a Globo e suas competidoras. A Globo ostenta 21 pontos de ibope na média diária – o triplo da medição que a Record acaba de alcançar. Mas essa liderança mais do que confortável não evitou que a emissora carioca reagisse aos ataques de Macedo e da Record nos últimos dias. Ela respondeu no mesmo tom ao editorial do Jornal da Record, afirmando numa nota que agressões desse tipo eram de esperar vindas de “um grupo que lucra com a manipulação da fé religiosa”. Trata-se de uma resposta que aponta as circunstâncias nebulosas que alavancaram a Record, mas não há dúvida de que por trás dela existe outro fato: o desafio imposto pelo canal do bispo Macedo é o mais duro que a Globo já enfrentou. O SBT nunca representou o mesmo tipo de ameaça: 10 pontos de audiência média sempre foram suficientes para que Silvio Santos mantivesse uma estrutura empresarial que lhe convinha. Não é assim com Edir Macedo. Ele é um homem muito mais ambicioso do que o dono do Baú da Felicidade – e a Record tem um papel central na realização de suas ambições. Ao mesmo tempo, a Igreja Universal oferece à Record recursos para prosperar: 300 milhões de reais por ano, por meio da compra de horários na programação. Esse dinheiro, proveniente do dízimo pago espontaneamente pelos fiéis da igreja, equivale a um terço de tudo o que a emissora arrecada no mercado publicitário. Trata-se de uma vantagem competitiva que nenhuma outra emissora desfruta. Leia mais aqui.
Ator morre ao violar “toque de recolher” de traficantes no Rio
De Italo Nogueira, da Folha de S. Paulo
Acostumado a cenas de ação, o ator-dublê Cláudio Luciano da Silva, 33, não escapou da violência real. Foi morto ontem no acesso ao morro São João, no Engenho Novo, zona norte do Rio, por não respeitar o “toque de recolher” imposto por traficantes da favela vizinha, do morro dos Macacos.
Silva ia à casa da ex-mulher, Thelma, onde buscaria o uniforme escolar do filho. Passava pela rua Acaú por volta das 6h30 quando foi abordado por três traficantes do morro dos Macacos. Segundo moradores, eles queriam seqüestrar o ator.
Segundo a polícia, o ator tentou dizer que era “trabalhador”. Após socar o rosto de um dos homens e tentar fugir, levou um tiro de fuzil na perna. Caído, foi atingido por mais cinco tiros no rosto e no peito.
Seu corpo ficou sete horas estirado na calçada sob um pano branco, aguardando a remoção. Agentes do 3º Batalhão da Polícia Militar (Méier) foram ao local, mas não subiram na favela. No alto do morro São João, traficantes andavam com pistolas.
Por rádio, os traficantes diziam que não eram responsáveis pela morte do ator. Temiam uma operação no local.”Como ele era muito conhecido na região, achou que não tinha problema em passar ali”, disse Jorge Só, 46, colega de Silva na agência de atores-dublês Só Ação. A vítima morava nas proximidades da favela.
Os morros São João e dos Macacos -onde o comércio de drogas está, respectivamente, sob controle das facções Comando Vermelho e ADA (Amigos dos Amigos)- estão em guerra constante. Traficantes da ADA impõem “toque de recolher” entre 19h e 8h nas ruas Acaú e Açaré, que ficam entre as duas comunidades.
Atualmente, Silva prestava serviço para a TV Record, na novela “Caminhos do Coração”. Trabalhou na TV Globo no programa “Linha Direta”, que reconstitui crimes. Deixou dois filhos, de dois e nove anos, e a mulher, Fernanda. Assinante Folha, leia aqui.
Biografia estampará prisão
de Edir Macedo na capa
A biografia autorizada de Edir Macedo, “O Bispo: A História Revelada de Edir Macedo”, trará foto de capa em que o líder religioso e empresário aparece lendo a Bíblia, numa cela do 91º DP, Vila Leopoldina, na zona oeste de São Paulo. A foto foi tirada quando Macedo estava preso, em 1992, sob acusação de charlatanismo e curandeirismo e se tornou símbolo dos fiéis da Igreja Universal. Macedo foi inocentado das acusações.
Editado pela Larousse, o lançamento da biografia foi antecipado de 21 de outubro para o dia 15 deste mês. Com tiragem de 700 mil exemplares, será acompanhada de um dos maiores esquemas de divulgação já feitos no mercado editorial brasileiro. Haverá um evento de lançamento em cada capital do país.
Escrito por Douglas Tavolaro, diretor de Jornalismo da Record, e a jornalista Cristina Lemos, a obra terá 283 páginas. Foram realizadas cerca de cem entrevistas durante 14 meses de preparação. Leia mais aqui.
Minc quer ajudar TV pública com Lei Rouanet
De Lisandra Paraguassú, de O Estado de S. Paulo:
No lançamento do Programa Mais Cultura – que está sendo chamado de PAC da Cultura -, o governo anunciou ontem que mudará a Lei Rouanet, de incentivo a produções, para fazer com que projetos financiados pelo poder público sejam apresentados gratuitamente em locais públicos e à população de baixa renda. As mudanças na legislação devem ser enviadas para o Congresso até o final do ano e servirão, também, para turbinar a programação da TV pública, a nova rede de comunicação a ser lançada pelo governo no dia 2 de dezembro.
A Lei Rouanet – que oficialmente se chama Lei Federal de Incentivo à Cultura – permite que artistas façam a captação de recursos de empresas privadas para financiar filmes, peças de teatro e outras produções culturais. Essas empresas podem descontar o valor doado na hora de pagar o Imposto de Renda, desde que não ultrapasse 4% do total devido à União. Hoje, porém, não há nenhuma contrapartida social ou qualquer tipo de apresentação gratuita.
“As atividades culturais financiadas pelo poder público têm de ser disponibilizadas para centros públicos, como escolas, e para aquela parte da população que hoje não tem acesso”, disse o secretário-executivo do Ministério da Cultura, Juca Ferreira, na apresentação do Mais Cultura. Um dos veículos para isso, de acordo com Ferreira, seria a TV pública.
Os filmes e outras produções audiovisuais seriam liberados para apresentação na TV assim que fosse “economicamente viável”. Ou seja, a intenção não é evitar o lucro com os filmes, mas permitir que a TV pública os apresente sem ter de competir com as grandes redes de TV nem de pagar, já que o governo fez o investimento inicial, através da isenção fiscal. Leia mais aqui.
Em carta, ex-mulher de Dirceu diz que petista nunca foi vilão
De Mônica Bergamo, colunista da Folha de S. Paulo:
A ex-mulher do ex-deputado José Dirceu, Clara Becker, 66, decidiu tornar pública uma carta que pretende enviar a Aguinaldo Silva, autor da novela “Duas Caras”, da TV Globo. Em entrevista à Ilustrada, Aguinaldo disse que a história de Dirceu e Clara inspirou a criação do protagonista da novela, que se casa por interesse, foge com o dinheiro da mulher e faz plástica para mudar de vida: “Tenho horror”, afirmou Silva.
O ex-ministro viveu com a ex-mulher de 1975 a 1979, em Cruzeiro do Oeste, no Paraná. Os dois tiveram um filho, Zeca, que hoje é prefeito da cidade. Na época, vivendo na clandestinidade, ele escondeu a verdadeira identidade da mulher e do filho. Com a anistia, contou a verdade e mudou para SP.
Na carta, que Clara enviou à Folha, ela afirma que é “fã” de Aguinaldo, mas teve uma “enorme decepção”: “Que o sr. queira criar um ambiente de ficção em suas novelas, não é apenas direito seu, assim como merece todo aplauso. Mas que o sr. queira criar um universo paralelo à realidade em algo que pertence à minha vida (…), sinceramente, acho que o senhor deveria ter mais cuidado.”
Abaixo, os principais trechos
“É caluniosa a comparação, feita pelo autor da novela, entre José Dirceu e um personagem que se casa por interesse e foge com o dinheiro da esposa. Nos anos em que vivi com José Dirceu (…) era tudo anotado em um caderno e cada um pagava as suas contas. José Dirceu pagava a empregada e o aluguel, e eu pagava as despesas de casa e a comida. Ele nunca me roubou e nunca dependeu do meu dinheiro, pois tinha a sua loja e eu a tinha a minha (…).”
“Quanto à omissão da sua identidade na época, todos, agora, sabem que era uma necessidade, pois a vida de José Dirceu estava em perigo. Certa vez fui chamada pelo então prefeito para uma conversa. O prefeito e outras pessoas desconfiavam daquele homem recém-chegado à cidade e que tinha um estilo diferente. Em casa (…) perguntei se ele escondia alguma coisa (…) A resposta foi imediata: não era casado e nem era bandido, mas havia algo, sim, que não podia revelado naquele momento. Senti sinceridade. Ele era bom, vivíamos bem e continuamos juntos (…) Foi uma opção minha.”
“Não fui abandonada por José Dirceu. Com a anistia, ele pediu que eu e meu filho fossemos com ele para SP. Chegamos a viver algum tempo juntos na capital paulista, mas eu tinha aqui em Cruzeiro do Oeste família que dependia de mim (…) Eu tomei a iniciativa de voltar para Cruzeiro do Oeste.”
“José Dirceu foi um companheiro ideal. Mesmo depois de nossa separação mantém contato, preocupa-se com meu bem-estar e vem a Cruzeiro do Oeste, cidade hoje administrada por nosso filho.” Assinante Folha, leia mais aqui.
Erundina critica renovação automática
Do Portal Imprensa:
A deputada Luiza Erundina (PSB-SP), presidente da subcomissão da Câmara responsável por avaliar as normas de concessão e renovação dos canais de rádio e TV, criticou a maneira como a renovação é feita atualmente – sob a responsabilidade do Ministério das Comunicações, do Congresso Nacional e da Presidência da República, a quem cabe autorizar o funcionamento de uma emissora de rádio ou televisão e também renovar a concessão de suas atividades.
De acordo com uma nova proposta de renovação, se no prazo de 90 dias as pendências detectadas na Câmara não forem resolvidas pelas emissoras, o processo será distribuído para relatoria, com recomendação pela rejeição. No caso de o processo ficar parado na Câmara, o presidente da comissão poderá, no prazo de cinco sessões, fazer redistribuição. Leia mais aqui.
Deputados não têm interesse em rever critérios, diz pesquisador
Do Portal Imprensa:
Na próxima sexta-feira (5), vencem as concessões de várias emissoras de rádio de TV do país e diversas organizações já se manifestaram pela revisão dos critérios de concessão ou renovação destas, seja porque pertencem a grandes grupos midiáticos ou a políticos.
No entanto, o pesquisador da Universidade de Brasília (UnB), Venício Lima, garante que os atos não surtirão efeito, pelo menos no que diz respeito às concessões de parlamentares. Segundo ele, o fato de deputados serem donos ou sócios de emissoras de rádio e TV leva o Congresso Nacional a não ter interesse em revisar tais critérios. Leia mais aqui.
Público desliga a TV; Audiência perdida pela Globo não migra
De Cristina Padiglione, de O Estado de S. Paulo:
Entre o fim de Paraíso Tropical e o início de Duas Caras, a Globo perdeu audiência, mas muita gente não mudou de canal: só desligou a TV. Entre a terça-feira da semana passada e a última terça, 7 pontos porcentuais foram perdidos no índice total de aparelhos ligados na Grande São Paulo no horário da novela das 9. São 380 mil lares a menos. O segundo capítulo do novo folhetim da Globo, anteontem, amargou média de 35 pontos de audiência na Grande São Paulo. Para um produto que começou nos 40, a baixa, fruto da ressaca entre o fim de um enredo e início de outro, não era exatamente inesperada. Mas pede alerta laranja da direção da casa para resgate urgente. Mesmo na terça-feira anterior, com a trama de Gilberto Braga bombando de suspense, a média do capítulo ficou em 47 pontos de média, índice abaixo do que a emissora costuma alcançar em reta final de novela das 9. O total de aparelhos ligados na Grande São Paulo registrava então 71% -anteontem, durante Duas Caras, o total de ligados somava 64%. A Record, que tinha esperança de abocanhar parte da platéia perdida pela Globo, não mostrou progresso significativo no horário. Leia aqui.
Band e Globo também têm concessões irregulares em SP
Da Coletivo Brasil de Comunicação Social – Intervozes, no Observatório do Direito à Comunicação:
Não é só a Record que faz um uso ilegal das concessões de rádio e TV em São Paulo. As Organizações Globo, o Grupo Bandeirantes e o Grupo CBS também mantêm no município mais emissoras de rádio e TV do que o permitido por lei, violando um dos únicos mecanismos previstos na legislação brasileira para evitar a concentração dos meios de comunicação.
Como já noticiou este Observatório, os grupos Bandeirantes e CBS burlam tanto o Código Brasileiro de Telecomunicações (Lei 4.117/62), que prevê que a mesma pessoa não pode participar da administração ou da gerência de mais de uma concessionária, permissionária ou autorizada do mesmo tipo de serviço de radiodifusão (na mesma localidade), quanto o Decreto 52.795/63, que estabelece que a mesma entidade ou as pessoas que integram o seu quadro societário e diretivo não podem ser contempladas com mais de uma outorga do mesmo tipo de serviço de radiodifusão na mesma localidade. Clique aqui para ler a íntegra do artigo.
“Sou jornalista, não sou político”, diz Ali Kamel
De Ricardo Noblat, do Blog do Noblat:
A propósito do artigo semanal do deputado Rui Falcão (PT-SP), publicado hoje (veja lá embaixo), recebi há pouco o seguinte e-mail de Ali Kamel, diretor de jornalismo da Rede Globo de Televisão:
“1) Soa ridículo alguém insinuar que minha crítica ao livro “Nova História Crítica” tenha estado a serviço do capital estrangeiro, mais especificamente da editora Santillana, a quem pertence a Editora Moderna. Um dia antes de o deputado fazer tal insinuação, (ontem, portanto) eu publiquei novo artigo, criticando duramente o livro “Projeto Araribá, Ensino fundamental, 8” o mais novo campeão de vendas entre os didáticos. Eu disse no meu artigo que tal livro tem todas as falhas do “Nova História Crítica” e mais uma: faz propaganda político-eleitoral do PT. Pois bem: o livro “Projeto Araribá” é editado pela Editora Moderna, que pertence à Santillana. Sou apenas um jornalista. Cumpro o meu papel. Publico as minhas idéias, não sem antes estudar os temas sobre os quais vou escrever. O deputado deveria fazer o mesmo. Não cairia nesse ridículo. Bastava ter lido o Globo de ontem.
2) Não culpei o MEC. Não culpei o Governo Lula. Isto está expresso em meus dois artigos. Basta lê-los. Sou jornalista, não sou político. Quando escrevo um artigo, não me preocupo com nada além do fato”.
Clique aqui para ler o artigo de Ali Kamel e aqui para ler o artigo de Rui Falcão, deputado estadual pelo PT e secretário do Governo da gestão da prefeita Marta Suplicy.
Oposição critica criação
de TV Pública via MP
Do Portal Imprensa:
Depois de anunciar, na última terça-feira (02), que deve editar a Medida Provisória (MP) responsável pela criação da TV Pública no Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é alvo de críticas e questionamentos do Congresso sobre se há, de fato, urgência que justifique a necessidade de criar a emissora por meio da MP.
Para o senador Pedro Simon, segundo informações do jornal O Estado de S.Paulo, a decisão de Lula aponta para um aspecto autoritário. Simon questiona ainda se a criação da TV não seria uma forma de promoção do “São Lula”, como se referiu ao presidente. Lula, no entanto, defende o novo órgão e afirma que a TV pretende manter os “vários sotaques” do País e reforçar o debate. Leia mais aqui.
Almeida Lima: Imprensa quer substituir parlamento
De Felipe Corazza Barreto, do Terra Magazine:
O senador Almeida Lima (PMDB-SE) admite que o parlamento brasileiro deve – e muito – à sociedade. Tido como aliado de primeira hora do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ele será o relator da segunda representação contra o colega de partido no Conselho de Ética da Casa. Só não será relator também da terceira representação porque o presidente do Conselho, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), voltou atrás na decisão de unificar as denúncias.
Lima diz que as pressões sobre Quintanilha para que não unificasse os processos não o atingem:
- Não vejo nesse Senado aqui ninguém com mais dignidade do que eu.
O senador diz que não há “opinião pública” sobre o caso de Renan Calheiros. Apesar das diversas manifestações contra o presidente do Senado, Almeida Lima considera tudo uma imposição da imprensa:
- Eu vejo a imprensa desejosa de substituir o parlamento.
Questionado sobre a derrubada, pelo Senado, da Secretaria de Ações a Longo Prazo – proposta em MP e cuja direção ficaria a cargo de Roberto Mangabeira Unger -, o parlamentar diz que o caso não é um “recado” de Renan Calheiros ao governo:
- Eu estava na reunião e não aconteceu nada disso, não se falou em Renan. Não existiu nada disso. Para ler a íntegra da entrevista, clique aqui.
O livro do bispo
De Lauro Jardim, colunista do Radar Online, da Veja.Com:
O lançamento da biografia de Edir Macedo, que sai no dia 25, terá uma das mais caras campanhas publicitárias já realizadas no Brasil. A editora Larousse estima que gastará 2,8 milhões de reais para vender a a tiragem recorde de 1 milhão de exemplares. O livro, escrito por Douglas Tavolaro, diretor de jornalismo da Record, terá eventos de lançamento em todas as capitais brasileiras. Mas o bispo participará somente da noite de autógrafos que será realizada na Livraria Cultura, em São Paulo. Leia mais aqui.
Campanha por Transparência será lançada amanhã
Do Portal Imprensa:
Na próxima sexta-feira (5), será lançada a Campanha por Democracia e Transparência nas Concessões de Rádio e TV. Já foram confirmados atos em 11 capitais, que terão como lema comum: “Concessão de Rádio e TV: quem manda é você”. A data para o lançamento da campanha foi escolhida por ser o dia em que vencem as concessões de 28 emissoras de TV e 153 de rádios, entre elas, Rede Globo, Bandeirantes, Record, SBT e suas afiliadas. Leia mais aqui.
Novo jornalismo sem auto-crítica
De Luis Nassif, do Luis Nassif Online:
É curioso o Ali Kamel. Escreve um artigo cheio de manipulação e incorreções em “O Globo”, depois reproduzido no “Estadão”, sobre o livro “Nova História Crítica”. Confrontado com incorreções, em vez de providenciar a retificação nos órgãos em que escreveu – como ocorre com todo procedimento jornalístico honesto – recorreu ao jornalismo de esgoto para as explicações. Mas apenas sobre o fato de não ter mencionado que o livro tinha sido incluído nas compras do MEC em 2002 e retirado este ano. Não sobre as manipulações que fez sobre seu conteúdo.
Hoje volta a escrever sobre o tema, escolhendo um outro livro.Nenhuma explicação sobre o fato de ter suprimido as críticas contra Stalin e Mao contidas no “Nova História Crítica”.
Repito aqui sua manipulação. Na hora de analisar a economia planificada, o livro mostra o que era a utopia; e depois o que se tornou a realidade. Kamel citou a utopia, e não mencionou as críticas ao que de fato aconteceu. Leia mais aqui.
Record volta a atacar Globo
da Folha Online
A Record cumpre à risca o que determinou o bispo Edir Macedo, dono da emissora e fundador da Igreja Universal do Reino de Deus. Na noite desta segunda-feira (1º), foi dada mais uma “cutucada no fígado” da Globo, na forma da leitura de um editorial durante o “Jornal da Record”. Em nota (leia íntegra), a Globo rebateu as acusações, classificando o editorial como “ataque leviano” e “calúnias requentadas”.
O texto da Record, lido pelo apresentador Celso Freitas, começa fazendo referência a uma nota publicada pelo blog de Josias de Souza na Folha Online, que informou no último sábado (29) que o diretor de relações institucionais da Rede Globo, Evandro Guimarães, tentou impedir em Brasília a inauguração do canal Record News. Leia mais aqui.
Globo rebate
A Central Globo de Comunicação rebateu, na noite desta segunda-feira (1º), os ataques do editorial lido no “Jornal da Record”. A emissora carioca chamou de “calúnias requentadas” as acusações feitas por sua concorrente. Clique aqui para ler a íntegra da nota da Globo.
Para ONG, Lula inaugurou ilegalidade
A ONG Intervozes, que atua na fiscalização de concessões, considera que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugurou uma emissora “ilegal” ao participar da cerimônia que marcou o início das transmissões da Record News, na última quinta-feira. O texto foi publicado no portal “Observatório do Direito à Comunicação”. As informações são da coluna “Outro Canal”, de Daniel Castro, e estão na edição da Folha de S.Paulo de hoje (conteúdo exclusivo para assinantes da Folha e do UOL). Leia mais aqui.
Planalto nega dossiê
Por volta das 12h da última quinta-feira, oito horas antes do horário previsto para a estréia da Record News, um funcionário do Planalto telefonou para o presidente da Record, Alexandre Raposo, e informou que Luiz Inácio Lula da Silva viria para São Paulo e daria entrevista exclusiva para o novo canal, mas que não ficaria para sua inauguração.
A notícia caiu como uma bomba junto à cúpula da Record. Raposo quis saber o motivo e afirmou que, duas semanas antes, o Planalto havia confirmado e reiterado que Lula apertaria o botão que colocaria a Record News no ar.
Sem falar oficialmente, o interlocutor do Planalto disse a Raposo que, “aparentemente”, havia alguma irregularidade com o novo canal, e que a Presidência havia sido aconselhada a não participar da cerimônia de inauguração. Mas que, no entanto, daria a entrevista prometida.
Começou então uma mobilização sem precedentes entre os departamentos Jurídico e Institucional da Record. Leia mais aqui.
Violência democrática
De Mino Carta, no Blog do Mino:
Luciano Huck esta manhã não apareceu no vídeo e sim na primeira página da Folha de S.Paulo. Assaltado em São Paulo, chama a tropa de elite, aquela que protagoniza o filme polêmico que não representará o Brasil no Oscar. O texto sincopado do apresetador de TV é o desabafo de quem acaba de passar por um grande susto. Trata-se de enredo inevitável: se alguém me ameaça de revólver em punho e eu tiver a sorte de encarnar de súbito John Wayne, atiro antes, como ele fariano desafio da rua principal. Não sou o velho John, e creio que também Huck não o seja. Muitas coisas que diz fazem sentido e são justificadas. Espantam-me são as contradições da classe a que o apresentador pertence. Não perco a oportunidade para admitir: eu também sou do privilégio, embora não pague, como Huck, fortuna em imposto. Mas a contradição está em imaginar que uma tropa de elite, igual aquela do filme, resolve o problema. É o mesmo que iludir-se em relação à pena de morte, tida ainda em alguns rincões do mundo, a começar pelo Império de Tio Sam e a terminar nos bairros ricos e nem tanto das metrópoles nativas, como o melhor instrumento de combate ao crime. Leia mais aqui.
Para ler o artigo de Luciano Huck na Folha de S. Paulo (exclusivo para assinantes), clique aqui.
“FH: ‘Chega de fascismo’”
De Tereza Cruvinel, publicado em O Globo, em 23/05/01;
Disponível no Observatório da Imprensa:
“A gota que faltava no pote de mágoas de FH foi a reportagem da revista ‘Veja’ sugerindo que, ao demitir Chico Lopes, soubesse que o então presidente do BC fora chantageado por Salvatore Cacciola para obter socorro. Em conversa ontem por telefone, FH abriu as comportas num misto de protesto e desabafo.
- Não posso aceitar o pressuposto de que abafei um crime. A leviandade da imprensa e o golpismo sem armas da oposição estão criando um clima de fascismo e terror insuportável. Não para mim, que tenho até instrumentos psicológicos para resistir. Quem pode não suportar é o país, é a democracia.
Lembra o recente programa eleitoral do PT, que fala de corrupção tendo como cena de fundo ratos roendo a Bandeira Nacional.
- Eu poderia ter ido à televisão acusá-los de fazer propaganda nazista. Essa imagem foi usada por Hitler. Não fiz isso, a luta política tem que ter limites.
Limite, acrescenta, é o que tem faltado nas investidas constantes contra o governo. Acabam de criar a lenda, diz ainda, de que o governo comprou deputados para abafar a CPI da Corrução, quando o que houve foi luta política legítima. Recorda o dossiê Cayman, cuja montagem foi mostrada esta semana em reportagem da revista ‘Época’. Nem pôde saborear, tem aí o alarido Marka, outra tentativa de CPI, Malan depondo no Senado…
- As tripas do governo estão abertas, tudo continuará sendo investigado. Continuarei garantindo a liberdade dos que me atacam, mas não vou aceitar que tentem me chamar de corrupto. O PT quer outra CPI? Por que não a CPI do Lixo, a CPI do esquema do Lula nas prefeituras petistas? Quer saber? Quando terminar meu mandato, terei que trabalhar, fazer conferências ou escrever para sobreviver.
Tudo o que ‘Veja’ denuncia, diz retomando o caso Marka, está no inquérito da Polícia Federal, exceto duas novidades que a seu ver só convencem os tolos e os mal-intencionados. Uma, o grampo que Cacciola teria mandado fazer em telefones celulares do esquema de Lopes. Qualquer amador sabe que não se grampeia celular. Outra, o fato de Cacciola ter quebrado mesmo sendo cliente do esquema.
- E as fitas? Cadê as fitas? Se existem, vão ter que aparecer. Ao contrário deles, não acuso sem provas. Posso dizer que Chico é um estúpido, mas não que seja um canalha. Foi demitido porque fez tudo errado na operação da banda diagonal endógena. Ninguém vai me fazer refém dos poréns e dos bandidos, do Telmo, do Cacciola, do Oscar de Barros, da turma de Miami…
Recapitula os fatos de janeiro de 1999 para voltar ao presente acidentado:
- Isso passou dos limites. Só neste ambiente neo-udenista contaminado, onde basta insinuar, onde se escreve o que se deseja, pode surgir a estarrecedora suposição de que nomeei e mantive no cargo uma pessoa que sabia desonesta e sujeita a chantagem.
Voltando a falar da oposição e do denuncismo, invoca a fase sanguinária da Revolução Francesa:
- A oposição quer este clima de Convenção, de Terror, como atalho para chegar ao poder. Assim não chegará.
Quem pede cabeça um dia entrega a sua. Temos um exemplo na praça.
Refere-se naturalmente ao senador ACM. Lembro-lhe de que o denuncismo da oposição só prosperou quando engrossado por gente de sua própria base. Concorda e faz a conhecida digressão sobre a aliança.
- Precisei avançar com o atraso, uma ironia da História. Mas sem a aliança não teria governado, o país não teria mudado. O que não pode continuar é este ambiente termidoriano, e não por mim, ou por minha biografia, mas pela democracia. Sinto-me nos anos 70. Querem o quê? Acham que a democracia resistirá até onde? Até onde querem levar o povo a descrer das instituições? A luz amarela está se acendendo. Se a eleição ocorrer neste clima, quem vai segurar o país? Quem segura o mercado? (…)
- Não calarei ninguém, não farei um gesto de força. Torçam contra mim, não contra o pais. Não ponham rato a roer a bandeira. Chega de fascismo e de terror moral. Leia a íntegra aqui.
Comentário
De Luis Nassif, em Luis Nassif Online:
A matéria mostra semelhanças com os dias de hoje, que vivo apontando:
1. Um tipo de jornalismo manipulador e irresponsável querendo crises mas não sabendo como apurar denúncias. Segundo o artigo de Luiz Garcia, na mesma página do “Observatório”, a revista publicou a pauta. Tal e qual nas matérias dos “dólares de Cuba” e tantos outros feitos contemporâneos.
2. O presidente da República procurando um jornalista sério para expor sua posição.
3. A oposição procurando se beneficiar da leviandade da revista para desestabilizar o governo. Antes, o PT; agora, o próprio FHC. Leia aqui.
Ranking
De Daniel Castro, colunista da Folha de S. Paulo:
A Band foi a emissora que mais cresceu em setembro. Em relação ao mesmo mês de 2006, aumentou sua audiência na Grande SP em 40%, de 2,0 para 2,8 pontos, na média diária (7h/24h). A Globo fechou com 18 pontos (-11%), seguida de longe pela Record, com 7,0 (+25%), e SBT, com 5,9 (-19%). Na média acumulada de 2007 (de janeiro a setembro, comparada com o mesmo período de 2006), a líder de crescimento é a Record, com 18% de alta. O SBT acumula queda de 15%, e a Globo, de 11%. Assinante Folha, leia mais aqui.
Perdi!
Errei a resposta da pergunta de Ricardo Noblat “Que músicas cantaram Caetano Veloso e Gilberto Gil no Festival da TV Record de 1967?”, aquela do concurso “Quem matou Tais?”. Respondi “Alegria, Alegria” e “Marginália II”. A resposta correta era “Alegria Alegria” e “Domingo no Parque”. Mesmo que tivesse acertado, demorei muito para responder.
Nunca imaginei que uma novela de Gilberto Braga pudesse ir tão longe. Pelo menos acertei o nome do assassino, Olavo.
Parabéns ao vencedor, Luiz Eduardo Figueira de Rezende, morador do Jardim Botânico, Rio de Janeiro. Ele respondeu em tempo recorde e ganhou um iPode com mais de 600 músicas – que inveja! Talvez daqui há uns 30 anos eu consiga acertar.
O Olavo matou a Taixxx, certo?!

Você lembra da promoção do Blog do Noblat? Aquela em que quem acertasse o nome do assassino de Tais, personagem de Alessandra Negrine em “Paraíso Tropical, concorria a um iPod com 600 músicas. Eu, inclusive, lancei um post, aqui no Blog, na semana passada, impressionado com o concurso em um site sério como o do Ricardo Noblat. E aí, lembrou? Pois bem. Foi o Olavo, personagem do Wagner Moura quem matou a Tais, certo? A Taís, o Ivan, e até o prórpio sogro… Quer saber o que isso tem a ver com esse Blog? No post a seguir eu explico.
Globo vs. Record
De Nelson de Sá, colunista da Folha de S. Paulo:
A estréia da Record News com Lula (e José Serra) atraiu a blogosfera pela guerra que a precedeu. Paulo Henrique Amorim, Josias de Souza e outros deram as pressões da Globo sobre Lula, argumentando que a Record não poderia ter dois sinais abertos na cidade. No argumento oposto, os casos paralelos de Band e Globo, esta no rádio. De outra parte, enquanto Globo Online destacava que a campeã de reclamações dos consumidores é a Net de Carlos Slim, que manteve no cabo a Record News, a revista global “Época” trazia acusações de “fraude” contra “amigo de Ciro Gomes”, o presidenciável, entre outros, do PRB da Universal. Assinante Folha, leia mais aqui.
Futebol e cinema
De Mônica Bergamo, colunista da Folha de S. Paulo:
O governador José Serra está preocupado com a candidatura de Soninha à Prefeitura de SP pelo PPS. “Ele me ligou e disse: “Tem certeza de que você agüenta? Você acha que vai fazer sua campanha de bicicleta e que vai ter tempo de ver sua filha?’”. Soninha diz que já ouviu “todo tipo de tese” sobre sua candidatura -entre elas, a de que se lançaria para dividir a esquerda e ajudar a reeleição de Kassab, candidato de Serra. “Isso é bizarro. Serra é um amigo com quem converso sobre futebol, filhos e netos, religião e cinema. Outra coisa são as divergências políticas. Ele vetou vários projetos meus quando era prefeito.” Assinante Folha, leia mais aqui.
Globo volta a Portugal; Sob encomenda, canal estréia hoje
De Shaonny Takaiama, de O Estado de S. Paulo:
Hoje entra no ar em Portugal a TV Globo Portugal, parceria entre a Globo e a operadora TV Cabo. O canal foi concebido especialmente para o público português e é resultado de vários meses de negociações para a Globo voltar a Portugal, pois o GNT-P, antigo canal luso da Globo, havia sido substituído pela Record na TV Cabo. A idéia da TV Globo Portugal é atender ao gosto da família toda, mas a grade exclui as novelas que estão no ar em razão de um acordo com o canal aberto SIC, que já transmite lá os folhetins da temporada. A grade, no entanto, pode contar com novelas e minisséries de outros tempos e vai misturar programas dos canais GloboSat e TV Globo. Estão certos na grade: Jô Soares, Serginho Groisman Toma Lá Dá Cá, Estrelas e Esporte Espetacular. Do GNT, a Globo Portugal absorve Saia Justa, Superbonita e Marília Gabriela Entrevista. O Multishow contribui com o Por Trás da Fama. E, assim como acontece na Globo Internacional, o novo canal terá Jornal Nacional, Hoje, Bom Dia Brasil, Jornal da Globo, Fantástico e Globo Repórter, além do Em Cima da Hora e do Jornal das Dez, da Globo News. Leia aqui.
Para executivos, baixaria
na TV vai piorar
De Daniel Castro, da coluna “Outro Canal”, da Folha de S. Paulo:
Pesquisa feita pelo Ibope revela que a elite empresarial brasileira perdeu confiança na televisão e não acredita numa melhora dos níveis de violência e sexo na programação.
A pesquisa foi feita em julho com 537 executivos de 381 grandes empresas nacionais. Representa dois terços do “top management” do país. Seu principal objetivo era saber o que eles pensam sobre sustentabilidade e responsabilidade social. A margem de erro é de cinco pontos percentuais.
Sexo e violência na TV foram incluídos em lista dos “problemas crônicos do país”, ao lado de moradia, pobreza e drogas.
Para 48% dos entrevistados, a violência e o sexo na televisão vão piorar -em 2005, esses percentuais eram, respectivamente, de 51% e 52%. Os que acreditam que os níveis vão se manter iguais, que eram de 35%, passaram a 45%. Em contrapartida, os que acham que a violência (14%) e o sexo (13%) vão melhorar agora são só 7%.
A confiabilidade plena na TV aberta, que era de 61% em 2005, foi reduzida para 52%. A TV também perdeu “eficiência”. Com ela, há dois anos alcançava-se o que se buscava para 65% dos executivos. Hoje, só para 49%. Já a internet, que era vista como eficiente por apenas 29%, hoje satisfaz 75%.
“As mídias modernas subiram em eficiência e as tradicionais perderam”, conclui Paula Soria, diretora de atendimento e planejamento do Ibope Inteligência. Assinante Folha, leia mais aqui.
A novela das 8 e o escracho
De Clóvis Rossi, da Folha de S. Paulo:
SÃO PAULO – Quando escrevi que o Brasil (o Brasil político) se transformara no país do “deboche pronto”, não podia imaginar que Gilberto Braga e Ricardo Linhares levariam idêntica percepção para o programa de maior audiência da TV brasileira, a novela das oito (no caso, “Paraíso Tropical”, ainda por cima no capítulo final).
Para quem não viu, breve resumo: a trambiqueira e prostituta Bebel (vivida por Camila Pitanga) é a única da turma do “mal” que nem morre nem perde. Ao contrário, se dá bem. Como? Graças a se tornar amante de um senador. Bebel termina em uma sessão de CPI para investigar biocombustíveis (por acaso -ou não- o tema pelo qual o presidente Lula é assumidamente obcecado).
A sessão vira circo, e a trambiqueira, gloriosa, posa para fotos e anuncia que vai aparecer na capa de uma revista. Salvo erro de memória, nunca antes neste país uma novela apresentou o “retrato falado” de um político de forma tão explícita. Só faltou dar as iniciais, o R de Renan e o C de Calheiros.
Na era Collor, uma novela da Globo também tratara da podridão política do poder. Mas o tom era moralista (sem dar conotação crítica à palavra), indignado, de “isso-não-pode-continuar”.
Na era Lula, o tom é de deboche, de “isso-não-tem-mais-jeito-mesmo”. Não por acaso, Camila Pitanga, simpatizante de sempre do PT e de Lula, disse que “foi uma ótima solução dos autores colocar a Bebel no contexto político que também é cheio de roubalheira”.
Sempre haverá um ou dois descerebrados para acusar os autores de “conspiração”, técnica canalha para fugir dos fatos. Os fatos, no entanto, provam, dia sim, outro também, que a política brasileira é um imenso escracho, um “Cambalache”, aquele tango que diz “el que no llora no mama, y el que no afana es un gil” (otário, na gíria portenha). Assinante Folha, leia aqui.
As ‘Duas Caras’ de Dirceu
Da entrevista de Agnaldo Silva, autor da novela “Duas Caras”, da Rede Globo, que estréia hoje, às 21h, concedida à jornalista Laura Mattos, da Folha de S. Paulo (exclusivo para assinantes):
FOLHA – A história do protagonista de “Duas Caras”, que se casa por interesse, foge com o dinheiro da mulher e faz plástica para mudar de vida, é inspirada na de José Dirceu?
SILVA – Não posso negar que ele tenha me inspirado, assim como outros, como o ex-chefe de censura militar Romero Lago. Abadía [traficante que fez plásticas para fugir da polícia] veio depois, mas tem muito a ver também. E a história do Zé Dirceu sempre digo que é uma lenda urbana, como a dos jacarés que vivem no esgoto, e essa comparação é bem interessante… O fato é que essa história -casamento, vida dupla, abandono da segunda vida para voltar à política- já ouvi centenas de vezes, mas toda vez ela me faz muito mal, porque sinto uma crueldade muito grande. Uma pessoa que faz isso é capaz de qualquer coisa. Tenho medo dele. Confesso que quando ele era chefe da Casa Civil, sempre pensava nisso. Tenho horror.
FOLHA – Regina Duarte tinha medo de Lula, e o sr. tem de José Dirceu…
SILVA – Pois é, mas eu acho que o Zé Dirceu era o rosto que o Lula não queria mostrar. Assinante Folha, leia mais aqui.