Daniel Vasques

Posts de Fevereiro, 2008

2010

In Uncategorized on 2008, 19 Fevereiro at 12:18 am

Ciro repercute

De Fernando de Barros e Silva, da Folha de S. Paulo (apenas para assinantes) desta segunda-feira, 18. “Ciro, Serra e 2010″ traz uma análise da entrevista publicada pelo mesmo jornal um dia antes. E já prevê o futuro… ou não?

(…) Ciro seria só mais um político truculento e vulgar. Não é. Mesmo a comparação com Collor, tão freqüente, me parece uma facilidade (ou miopia) da arrogância paulista.

Tome-se a entrevista que Ciro concedeu à Folha. FHC e Lula -diz- são cúmplices da mesma frouxidão moral em troca de conforto nas relações com o Congresso; o país ainda assim avançou com Lula, mas desperdiçou oportunidades e não tem projeto; vive refém da figura carismática de seu líder.

O alvo de Ciro, porém, é José Serra, de quem ele diz “ter valor, mas não escrúpulos”. Falta tempo, mas a polarização que já se desenha para 2010 é essa: Ciro x Serra.

(…) É improvável que um petista venha desbancar essa rivalidade. Mas, sendo o país o que é, uma figura astuta e tão sintomática das nossas qualidades e defeitos como Aécio Neves, o “bon vivant”, ainda é capaz de pregar uma peça nas feras.

MEDIA

In Uncategorized on 2008, 17 Fevereiro at 11:41 pm

Veja vs. Nassif

O jornalista Luís Nassif, editor de Dinheiro Vivo, está publicando desde o início de janeiro uma série de reportagens em que aponta a revista Veja como uma “fábrica de escândalos” e a denomina de “o maior fenômeno de anti-jornalismo dos últimos anos”.

Como forma de retalhação, Veja está processando Nassif. Mas não só. Diferentes ações estão sendo impetradas tanto pela Editora Abril, que publica a revista, quanto pelos repórteres autores das matérias citadas por Nassif. Ou seja, um bombardeio a fim de parar Nassif.

Você pode ler a série de Nassif aqui no Googlepages.

Também disponivel no blog “O Caso Veja”.

Artigo

Chama-se “Fábrica de maldades” e foi escrito pelo ex-deputado e jornalista Marcos Rolim, desfiliado do PT. Publicado no jornal Zero Hora deste domingo, 17:

O jornalista Luis Nassif vem publicando no Observatório da Imprensa artigos a respeito da “Veja” que permitem compreender como e por que aquela que já foi uma revista de fato, se transformou no pasquim atual. Com efeito, a mudança no perfil da publicação lançada por Mino Carta ao final dos anos 60, que já contou com a direção de profissionais do quilate de um Elio Gaspari, merece uma discussão. Pois bem, Nassif sustenta que Veja tem sido um instrumento a serviço de interesses econômicos escusos. Afirma que a “fábrica de escândalos” patrocinada por Veja é orientada por dossiês aprontados por lobistas e que as notas que a revista publica semanalmente são “plantadas” para que influam em guerras empresariais, policiais e jurídicas. Está todo aqui.

MÚSICA

In Uncategorized on 2008, 17 Fevereiro at 11:04 pm

Os Ramil, garantia de boa música

Está no blog do jornalista Luís Nassif, no IG:

Um compositor talentosíssimo e muito pouco lembrado, é o pelotense Vitor Ramil, primo de Kleiton e Kledir (na verdade, é irmão) que andaram fazendo sucesso nacional lá pelos 80. O cara é um mestre no que faz.

O post traz links para músicas e entrevista do Ramil à UnBTV, de Brasília. Como pelotense, confesso que fiquei orgulhoso com o elogio.

PERFIL

In Uncategorized on 2008, 17 Fevereiro at 7:31 pm

Um Ciro Gomes menos chato (eu não ganhei nada para dizer isso)

Leio a entrevista do deputado federal Ciro Gomes (PSB), publicada na Folha de S. Paulo (apenas para assintes) deste domingo, 17. Tarefa bem executada pelo jornalista Kennedy Alencar. Valhe a pena.

Intimista, revela um Ciro Gomes mais maduro, até mesmo franco, consciente de suas falhas e limitações, mas longe de ter ‘papas na lingua’. Defende um projeto estratégico para o Brasil; aponta erros e méritos dos governos FHC, ao qual se oposicionou, e Lula, do qual integra “comovidamente” a base de sustentação; e diz que a briga de gato e rato entre governistas e opositores reflete que ambos estão “desarvorados, perdidos, num mato sem cachorro”.

Ciro Gomes não nega ter pretenções de chegar à presidência da República, admite a possibilidade de votar em Aécio Neves “tranquilamente em uma certa circunstância” e deixa claro as suas divergencias – políticas e pessoais – com José Serra.

Veja a seguir alguns trechos da entrevista:

FHC I

Sem FHC não teria havido o real, como também sem o Itamar não teria havido. As pessoas acham que tenho animosidade particular. Nenhuma. Quando FHC tomou posse, havia uma dívida pública equivalente a cerca de 38% do PIB. Ele deixou essa relação em 58% do PIB. Explodiu a dívida, aumentou muito a carga tributária, deprimiu a taxa de investimento aos menores valores desde a 2ª Guerra Mundial e levou o país ao colapso, inclusive na caricatura trágica do apagão.

FHC II

Tive uma conversa explícita com FHC, reclamando do excesso de concessões e da frouxidão moral a pretexto da sustentação no Congresso. Lá pelas tantas, ele me disse: “Você é muito jovem e um dia vai se sentar aqui. Verá que caiu o presidente que não contemporizou com o patrimonialismo”. Ele usou essa expressão. Fiquei muito chocado. No governo Lula, vi um pouco de novo a mesma coisa. Me incomodei muito.

AÉCIO NEVES

Aécio é uma das grandes e boas novidades que a democracia brasileira está produzindo. Falta a ele uma vivência nacional. Nada que o talento, o espírito público e o carisma dele não supram rapidamente. Votaria nele em uma certa circunstância tranqüilamente.

JOSÉ SERRA

É um homem de valor, porém sem escrúpulos. (…) É arrogante, prepotente, só ele sabe a verdade. FHC vivia esculhambando o Serra. O esporte preferido de FHC ainda é falar mal do Serra na intimidade.

PROJETO ESTRATÉGICO

Não estou falando que devemos revogar o capitalismo. Mas não tem conversa, o Brasil não superará o hiato tecnológico sem intervenção direta do Estado. No macro, a meta estratégica é liderar um esforço de elevação do nível interno de poupança. No micro, recuperar o Estado nas suas funcionalidades vitais. Isso foi satanizado. Nossas estradas e nossos portos estão arrebentados. O Brasil tem uma das mais agudas concentrações de renda do mundo organizado. Vai se resolver pelo espontaneísmo das forças de mercado?

IMPRENSA

A imprensa ajuda ao espetacularizar o escândalo, ao novelizar o escândalo. Não estou dizendo que o escândalo não deva ser tratado. Deve ser tratado duramente, mas não pode monopolizar as atenções da sociedade brasileira se temos tais e tantas questões graves.

IMPRENSA II

“(…) Como acho que a imprensa presta grande serviço ao criticar, a imprensa também tem de ter tolerância ao ser criticada.

IMPRENSA III

“(…) A imprensa brasileira não é neutra. É conservadora. Vamos tratar isso como? Mais imprensa, mais liberdade de imprensa.

BRAVO!

In Uncategorized on 2008, 16 Fevereiro at 6:18 pm

O Brasil precisa assumir seu lado “Tropa de Elite”

O Urso de Ouro concedido neste sábado à “Tropa de Elite”, no Festival de Berlim, está longe de ser o reconhecimento a uma obra cinematográfica de qualidade, mas um apelo internacional para que o Brasil e o mundo acordem para o que o globo insiste em não enxergar.

A polêmica em torno da não nomeação ao Oscar pelo Ministério da Cultura, que optou por “O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias” como representante brasileiro à estatueta, é uma outra história. Até porque é no mínimo injusto desmerecer “O Ano”, este sim brilhante e comovente sem em momento algum deixar de ser denuncista.

A coroação ao filme do diretor José Padilha, escreve o nome do cineasta na história do cinema mundial, mas…

Cinematograficamente, a “Tropa” de Padilha está anos luz da “Cidade de Deus” de Fernando Meireles — a fotografia, a narrativa e o roteiro são os exemplos mais gritantes. Isso sem falar que em 2002, “Cidade de Deus” também não foi indicado pelo Minc. E um ano depois estava em Hollywood, indicado à três estatuetas, entre as quais categorias principais como a de melhor atriz.

Retrato de realidade para uns, fascista para outros, “Tropa” tem seus méritos. Ao polemizar, chama a atenção para uma realidade que há muito tempo teimamos em ignorar; não queremos enxergar!

É no mínimo equivocado atribuir ao filme a apologia à pratica de tortura, como afirmou o jornal francês Le Monde. Mas, por mais injusta que possa parecer, esta crítica põe o dedo na ferida de uma imprensa que não se cansou de exaltar a película e retratar a bandidagem cotidiana nos jornais, mas esqueceu o principal: discutir o problema — violência, exclusão, caos social.

A trajetória internacional de prêmios de “Tropa de Elite” está apenas começando. Uma espécie de despertar. E nós brasileiros ficaremos ainda mais orgulhosos de sermos reconhecidos pela bandidagem, pobreza, corrupção, características tão peculiares, tão brasileiras…

PRÊMIO

In Uncategorized on 2008, 12 Fevereiro at 5:40 pm

World Press Photo 2008

Acima, a imagem vencedora; abaixo, a minha preferida.
O grande vencedor do World Press Photo foi o britânico Tim Hetherington, com uma imagem de um soldado norte-americano abrigando-se, esgotado, num bunker, no Afeganistão, publicada na revista Vanity Fair. Tirada a 16 de Setembro, descreve a “exaustão de um homem, a exaustão de uma nação”, segundo o presidente do júri do prêmio, Gary Knight.
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A minha foto preferida não é a do exausto soldado americano, mas a de um homem afegão com uma criança nos braços, registro do húngaro Balazs Gardi. Não parece uma fotografia, é verdade. Está mais para uma pintura tamanha a beleza.
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A penumbra e palidez do registro em preto e branco transmitem tensão. Os olhos – tanto os do homem, quanto os do jovem – saltam à tela. O ângulo escolhido passa um ar de submissão.
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A WPP focou certo, mas escolheu errado, avalio eu. Ao invés de olhar o povo vitimado pela guerra, optou pelo soldado calejado pelo conflito eminente. Poderia ter sido melhor. Ganharíamos todos.
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Veja o álbum com as fotos finalistas e escolha a sua. Você há de ter uma preferida também.

OPINIÃO

In Uncategorized on 2008, 12 Fevereiro at 2:06 pm

As canalhices do Silva

O escritor Agnaldo Silva é um chato. Discordo da maioria das bobagens que ele retrata em sua atual novela, “Duas Caras”. Também discordo dos absurdos que ele publica no seu blog – sim, ele chama aquilo de blog.

Pois bem. Navegando entre as canalhices de Silva, eis que me deparei com esta pérola, a respeito do livro “98 Tiros de Audiência“, escrito por ele e publicado em 2006:

- Começei (sic) a escrever “98 Tiros de Audiência” seis anos atrás, depois que terminei Porto dos Milagres. Ia viajar para Nova Iorque, o avião atrasou, para passar o tempo liguei o notebook na sala da Varig e, sem que planejasse nada, de uma só vez saíram as doze primeiras páginas do livro – diz o Silva

Resumo da ópera: o “causaéreo” – como tão bem define Paulo Henrique Amorim em seu bem-humorado e in(con)formado Conversa Afiada – não nasceu hoje. Há seis anos atrás, ainda em um outro governo, o “causaéreo” já existia. E não só: o mensalão, os cartões corporativos, a CPMF… tudo isso já existia antes, bem antes!!! A diferença é que não viravam manchete e poucas vezes tornavam-se notícia.

As crises de plantão não apareciam na Media! A maior prova é que se aparecessem, Silva não teria tempo de escrever doze páginas de seu bestseller. Estaria lá, no aeroporto, protestando, rosnando e gritando, como gosta de fazer, à moda bicho, a elite brasileira. E eu que pensei que quando as elites mudassem, tudo mudaria.

Um brinde aos canalhas; um brinde aos Silva!!!

US 2008

In Uncategorized on 2008, 8 Fevereiro at 10:19 am

Obama: “Yes, we can”

Do blog de Paulo Moreira Leite, no IG:

Menos de 48 horas depois da Superterça, já é possível tomar o pulso da nova fase das primárias americanas. “Yes, we can” é palavra-de-ordem dos comícios de Barak Obama, candidato que é o centro político e cultural da eleição. Transformou-se num clipe que virou bandeira da campanha.

Trata-se de um desses momentos raríssimos em que a propaganda política interpreta o sentimento profundo da população – e ajuda a tranformar um candidato como se fosse justamente aquela pessoa que faltava para animar a festa. Leia aqui.