Rafinha e o BBB: reflexo dos tempos
Nada melhor do que Pitty para narrar em verso, prosa e música (graças à Deus!) a oitava edição a la “Malhação” do Big Brother Brasil, que terminou a pouco: mórbida, melancólica, trágica, surreal. Num BBB recheado de adolescentes, faltaram os conflitos tão característicos da idade — a média na casa era de 22 anos.
Destaque nos principais sites do país, o jovem Rafinha que entrou no BBB aos 45 minutos do segundo tempo, faturou o reality show. Também pudera, ganhou quase tudo: três carros, computadores, uma moto, passeio de helicóptero, passagens aéreas, jogo do Palmeiras (isso lá é prêmio?) e, claro, o o tão disputado R$ 1 milhão.
Nem assim é possível dizer que Rafinha é um milionário. A pobreza de espírito do rapaz de 26 anos se traduziu nas primeiras palavras, ditas logo no final do programa, e após uma tirana experiência de 78 dias:
- “Eu estou rico!”, festejou.
A frase ingênua do emo deixou frustrados aqueles que votaram nele e por ele torceram do lado de cá da telinha, correto? Nem tanto. No fundo, Rafinha refletiu o que foi a edição número oito do reality show. Uma geração de “frãs(trados)” que valoriza o “nada” além de um rostinho bonito, um corpinho sarado e um sorriso cativante. Rafinha não precisa pensar — nem cantar, como (não) se viu durante o programa. Basta calar-se, omitir-se, até ficar rico. Reflexo dos tempos. Pobre Pitty!
Que Rafinha saiba aproveitar o seu R$ 1 milhão. Que seja eterno enquanto dure (se tiver sorte) até o próximo Big Brother. Afinal, em breve já o teremos esquecido, descartado, ignorado; enfim, compraremos um novo e botaremos outro em seu lugar. Aí sim, ele se calará para sempre.
O big protagonista
Foi preciso o psiquiatra Marcelo experimentar e transformar o horário nobre da maior emissora de TV da América Latina em seu laboratório dos horrores, para darmos uma espiadinha — mesmo que durante uma passadela pelo quarto da empregada.
Hipocrisias a parte, Marcelo mostrou o quanto nós, seres humanos, somos ao mesmo tempo que manipuláveis, manipuladores. Provocou-nos a exaustão; levou-nos ao limite; expôs nossas víceras em rede nacional, até o momento em que não mais agüentamos nos enxergar tão imundos e o rifamos — mesmo que ainda o venerando — como uma coisa qualquer. Reflexo dos tempos, descartamos um e elegemos outro!