Daniel Vasques

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O futuro da televisão

Em Audiência, ESPN, EUA, Ibope, Jornais, mídia, Mídia & Poder, Televisão, 2009, 20 outubro às 4:03 pm

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A TV norte-americana sempre serviu de parâmetro para que as TVs comerciais mundo a fora se guiassem no que diz respeito a tendências de consumo e audiência — se é que um não é sinônimo da outra!?

Pois bem. Não é de hoje que o Ibope das grandes redes americanas está em declínio. Como declarou o comediante Jay Leno recentemente, o sucesso de hoje equivale ao fracasso de (não muito) antigamente.

Jamais veremos números como os dos estrondosos ”Seinfeld”, “Friends” ou “ER” novamente, só para falar de alguns fenômenos da última década. Estes seriados, líderes de audiência, eram exibidos na TV aberta. Os sucessos de hoje — e com números bem mais modestos — estão, em sua maioria, na TV a cabo. Vide “The Sopranos”, “Mad Man” e ”Dragmet”.

Na semana passada a TV dos Estados Unidos ganhou uma nova leitura do que deverá ser o duelo em busca de telespectadores no chamado “futuro da televisão” (e ele está aí!). Pela primeira vez na hstória um jogo de futebol americano transmitido em um canal por cabo (ou seja, segmentado, de um gênero específico, neste caso ‘esporte’) bateu um jogo de futebol exibido em uma grande rede.

Enquanto na ESPN Packers vs. Vikings alcançou mais de 21,8 milhões de telespectadores, na NBC Indianapolis vs. Tenneesse não passou de 16 milhões,  atrás de NCIS, série de investigação a la C.S.I., e da versão americana de Dança dos Famosos.

Mas não se engane. Esta nova tendência, dizem os especialistas, não significam que a TV vai acabar. Ela está apenas em transformação e deve crescer ainda mais, como afirma Jeffrey Cole que lidera um projeto mundial de estudos da internet e de celulares.

Segundo ele, as pessoas querem cada vez mais informação. E esporte também é informação. Fim apenas para os jornais, e mesmo assim os impressos. Mas esta é uma outra história.

Nassif: PF acusa Mainardi e Veja

Em Daniel Dantas, Diogo Mainardi, Imprensa, Luis Nassif, mídia, Veja, 2008, 15 julho às 3:15 pm

Do blog de Luis Nassif, no IG:

O relatório do delegado Protógenes Queiroz, encaminhado ao Juiz Fausto Martin de Sanctis – que serviu de base para o pedido de prisão de Daniel Dantas e outros réus – acusa diretamente as revistas IstoÉ Dinheiro e Veja e os jornalistas Leonardo Attuch, Lauro Jardim e Diogo Mainardi de colaborarem com uma organização criminosa. Mainardi é explicitamente apontado como “jornalista colaborador da organização criminosa”.

O nome do documento é “Relatório Encaminhado ao Juiz Federal Fausto Martin de Sanctis”. É o Inquérito Policial 12-0233/2008. Nele consta Procedimento Criminal Diverso no. 2007.61.81.010.20817.

Foi preparado pela Delegacia de Repressão aos Crimes Financeiros do Departamento da Polícia Federal

O capítulo 13 tem por título “Do papel da mídia no processo investigatório”.

Clique aqui para ler a íntegra do post de Luis Nassif.

Dantas, Nahas e Pitta presos: O tempo irreal da notícia

Em Daniel Dantas, Imprensa, mídia, Observatório da Imprensa, 2008, 10 julho às 4:00 pm

De Luciano Martins Costa, do Observatório da Imprensa:

 
A prisão do banqueiro Daniel Dantas, do especulador Naji Nahas e do ex-prefeito Celso Pitta pode ser considerada a mais surpreendente ação da Polícia Federal em todos os tempos.

E a imprensa brasileira, embora apanhada de surpresa, teve todas as condições para realizar a mais memorável cobertura de um escândalo.

A informação apareceu inicialmente na revista eletrônica Terra Magazine, ainda antes das 7h00 da manhã de ontem.

Uma hora depois, os demais veículos começaram a despertar.

Reproduções quase literais do texto original brotaram em seqüência, mas apenas o Último Segundo citou o Terra Magazine entre suas fontes.

Os sites dos grandes jornais perderam para os veículos exclusivamente online.

O mais ágil entre os jornais foi o G1, do Grupo Globo, mas ainda assim sem acrescentar novos dados.

Durante o dia, a TV Globo exibiria imagens da operação policial, revelando ter sido convidada a acompanhar as prisões.

Ou os editores não entenderam do que se tratava, ou o Grupo Globo anda com sérios problemas de sinergia.

A reprodução pura e simples do trabalho alheio – quase sempre sem citar a fonte – revela certo vício da produção jornalística no Brasil: importa sair na frente, ou pelo menos com o menor atraso possível.

A chamada notícia em tempo real, alardeada pelos sites dos jornais, comumente não é baseada em trabalho jornalístico real.

Clique aqui para continuar lendo o texto do Observatório da Imprensa.

Não, não é o mensalão

Em Bob Fernandes, mídia, Mídia & Poder, Mensalão, Ricardo Noblat, Terra Magazine, 2008, 9 julho às 12:23 pm

“Nada a ver com o mensalão”, escreveu Ricardo Noblat, ainda ontem, no início da tarde em seu blog:

Estão misturando por aí o escândalo do mensalão, o pagamento de propinas a deputados para que em 2005 votassem na Câmara como mandava o governo, com a operação que resultou, hoje, na prisão do banqueiro Daniel Dantas, dono do Grupo Oportunitty, do especulador Naji Nahas e do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, entre outros.

O que havia sido apurado antes sobre o mensalão está na origem da investigação da Polícia Federal que mandou Dantas, Nahas e Pitta para a cadeia. Mas é só. A operação de hoje nada tem a ver com o mensalão, nada avançou em relação a ele, até porque esse não era seu objetivo. Portanto, falando em termos de governo, o anterior , de FHC, é que tem razão para se preocupar.

Na sequência vieram Mirim Leitão e Luis Nassif, este repercutindo o que horas antes Bob Fernandes, do Terra Magazine, já tinha dado junto com a série de reportagens exclusivas sobre a prisão de Dantas :

Entenda-se, uma vez que, na praça, desinformados e desinformadas de vários matizes já excitam-se com “a volta do mensalão”.

Não, não é uma investigação que esbarra em maracutaias do “mensalão”. É uma devassa que chega a bem antes. E chegará a bem depois. Algo muito maior, muito mais profundo e poderoso do que o mensalão. Que viceja, brota gloriosamente em meio à privatização do sistema Telebras, embora pensado antes ainda. Algo que mira também o presente e o futuro.

Não, não é coisa de pés-rapados, adoradores de penosas, de pobres-diabos que recebem o “por fora” no guichê do Banco Rural – do Brasília Shopping. É fato inédito na história dos crimes financeiros. É coisa de uns 2 bilhões.

De dólares. É coisa de quem montou, geriu, operou, opera o Sistema.

Preso, Dantas passa pela prova de fogo da grande mídia

Em Daniel Dantas, Imprensa, mídia, Mídia & Poder, 2008, 8 julho às 10:34 pm

De Daniel Vasques | Mídia & Poder:

Os principais jornais do país ainda chegavam às bancas quando às 7h48min, Bob Fernandes, no Terra Magazine, postou: “Exclusivo: PF prende Dantas e organização criminosa”. Foram 24 mandados de prisão e 56 de busca e apreensão num esquema que também levou para a cadeia o ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta, e o investidor Naji Nahas.

- (…) É o desfecho, ou, melhor, um entreato da maior disputa societária da história do capitalismo brasileiro. Para que se tenha uma idéia: algo como um bilhão e 900 milhões de dólares foram rastreados na investigação. Fortuna essa advinda de aplicadores e, quase sempre, a transitar por paraísos fiscais.

Antes, no sábado, 06, Ricardo Boechat já informava na revista IstoÉ que Dantas estava com medo de ser preso. ”Muito medo”.

- Ao saber detalhes de uma investigação “sigilosa” da Polícia Federal, na qual figura como suspeito de crimes financeiros, ele requereu habeas-corpus preventivo, simultaneamente, em nada menos que três tribunais – escreveu.

Pegando carona na reportagem de Bob Fernandes, Nelson de Sá, do blog “Toda Mídia”, da Folha, chamou o leitor para um “mergulho nos intestinos do Brasil e na maior batalha societária da história do país”, hoje e nos próximos dias. Mais tarde, postou:

- Por qualquer razão, até o momento só aparecem imagens de Celso Pitta, este até de pijama, e Naji Nahas sendo presos.

As imagens de Dantas preso só se espalhariam pela rede à tarde, via Agência Estado, ao mesmo tempo em que o IG, da Brasil Telecom, trazia o perfil dos “suspeitos do crime de desvios de verbas públicas”.

A notícia do dia

Foi a manchete do dia, com os principais sites e portais do país correndo atrás, e o tempo todo no alto da páginas. Folha, Estadão e O Globo, este em menor escala, trataram de explicar quem é Dantas e a relação do esquema com o mensalão. Ganhou os canais de notícias, as rádios on-line e por fim os telejornais das redes de TV.

Paulo Henrique Amorim, que desde os tempos do IG já acompanhava o caso, lembrou quem é Dantas, questionou como ficará a fusão da “BrOi” com a prisão e destacou a atuação do delegado Protógenes Queiroz na Operação da PF.

À tarde, depois da PF informar que Dantas tentou subornar delegado, o site de Carta Capital, ainda no IG, criou link especial para a cobertura, com histórico de capas e reportagens sobre o banqueiro. O jornal Zero Hora, de Porto Alegre, também pegou carona com gráfico especial sobre a Operação da PF.

Já nas TVs, a atualização das notícias sobre a Operação da PF passou a se alternar com a transmissão ao vivo do depoimento do deputado Paulo Pereira da Silva no Conselho de Ética da Câmara.

Destaque nos telejornais

Enquanto no JR o Brasil viveu “um dia histórico“, o JN deu amplo destaque às prisões vistas como “desdobramento do escândalo do Mensalão” e apresentou um Dantas “dono de muitos negócios”, ”tido como homem mais rico do Brasil” e com interesses de “agradar o governo” devido à ”disputa na justiça” pelo controle das teles.

Com menos destaque que os demais, o Jornal da Band escalou Dantas nas manchetes, mas abriu com as imagens pouco visíveis dos tiros ao carro onde estava o menino João Roberto, de três anos, morto ontem por policiais, no RJ. Só depois entrou o banqueiro.

À tarde, depois de escrever que, no Japão, “Lula dormiu cedo, mas bem informado”, Lauro Jardim postou em seu blog no site da revista Veja a “coincidência” de, no dia da prisão de Daniel Dantas, a Rede 21 (do grupo Band) ter colocado um “ponto final no contrato de parceria” com a PlayTV (da Gamecorp, de Lulinha).

- Para quem não se lembra, Dantas (através da Brasil Telecom) tentou ser sócio de Lulinha na Gamecorp. Houve negociações, conversas para lá, conversa para cá. Quando as conversas caminhavam para uma conclusão, o papai Lula vetou.

Ingrid Betancourt e o resgate da democracia colombiana

Em Ingrid Betancourt, Jornais, mídia, Mídia & Poder, 2008, 4 julho às 9:35 am

De Daniel Vasques | Mídia & Poder:

Começou no meio da tarde de quarta-feira, 03, e não parou mais. No alto da página, a Folha Online deu “Urgente: Colômbia resgata Ingrid Betancourt e reféns americanos das Farc” reproduzindo as ”agências internacionais, que não forneceram mais detalhes sobre o resgate”, informou. Era o começo do fim do sequestro, seis anos depois da senadora e candidata a presidência ter sido levada.

Logo, as versões “News” de Globo e Record interromperam a programação e em pool com a CNN en Español, que reproduzia a colombiana TV Caracol, trouxeram a primeira entrevista de Ingrid, ainda por telefone.

Mais tarde e ao vivo, a chegada em avião do Exército Nacional da Colômbia, o encontro emocionado com a mãe e a entrevista coletiva improvisada. Primeiro — e até mesmo antes do presidente colombiano Álvaro Uiribe — o francês Nicolas Sarcozy concedeu entrevista ao lado dos filhos e da irmã de Ingrid.

No dia seguinte

Nos jornais do dia seguinte, Folha, O Globo e Estadão abriram manchete para o resgate, creditado para o exército colombiano e foto de Ingrid. O Globo, saudando a “ação espetacular”, e Estadão sublinham que foi um golpe nas Farc.

Mais exército, desta vez na Europa, com o espanhol El País e o luso Diário de Notícias em manchetes quase iguais destacando que “libertou”“resgatou na selva” a ex-senadora.

Nos Estados Unidos, os tidos republicanos WSJ e WP destacaram no alto, enquanto o mais democrata NYT colocou no pé da primeira página. E conforme relatou Nelson de Sá, da coluna “Toda Mídia” da Folha de S. Paulo:

- Antes do anúncio do resgate, a home do ‘Washington Post’ perguntava, no alto: ‘Por que John McCain está na Colombia?’. E descrevia como o candidato, ontem no ‘Good Morning America’, ‘se mostrou defensivo’, correndo a ‘se explicar’.

Pela BBC Brasil, Bruno Garcez questionou se “McCain ganha com a ‘coincidência’ da libertação de Ingrid?”. “Coincidência”, assim mesmo, também entre aspas, em artigo de Eliane Cantanhêde destacado na capa da Folha e questionando a visita de campanha de John McCain à Colômbia.

MEDIAS

Em Blogs, mídia, TV Pública, 2008, 3 julho às 10:37 pm

A Europa debate o financiamento da TV Pública…

DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS, DE LISBOA:

O Presidente francês quer suprimir a publicidade dos cinco canais de serviço público já a partir do próximo ano. Mas as soluções para compensar a perda de mais de 800 milhões de euros de receitas anuais reabrem o debate sobre a autonomia do sector, e só parecem agradar aos canais privados. O programa de medidas está longe de ser um êxito de audiências. Sob as críticas da oposição, sindicatos, jornalistas e empresários, Nicolas Sarkozy definiu na semana passada as suas prioridades para a reestruturação do audiovisual público francês, depois de ter recebido o relatório de uma comissão encarregada de reflectir sobre o futuro do financiamento, conteúdos e organização do sector. LEIA

…E os blogs mostram a sua força (às avessas)

A imprensa indiana deu ontem sinais de grande embaraço ao reconhecer como falsa uma história divulgada segunda-feira sobre a detenção em Goa de um alegado cidadão alemão com passado nazi. Vários jornais indianos deram segunda-feira conta de que Johann Bach, um cidadão alemão de 88 anos, fora detido no fim-de-semana passada pelas autoridades policiais numa floresta perto de Goa, numa operação conjunta com a congénere alemã, cujos contornos foram relatados ao pormenor. Contactado ontem pela Lusa, o porta-voz da embaixada da Alemanha em Nova Deli, Philip Ackermann, negou veementemente a história, considerando-a uma “invenção” de um “bloguista” indiano, que rapidamente se estendeu aos media locais. LEIA

Chávez perde referendo; agências se perdem

Em Hugo Chávez, mídia, Mídia & Poder, RCTV, Referendo, 2007, 3 dezembro às 5:58 am

De Daniel Vasques | Mídia & Poder:

Primeiro na Reuters, ainda com foto errada do “si” comemorando, depois na CNN, apenas em versão Breaking News. A derrota de Hugo Chávez no referendo popular que avaliou a reforma constitucional que lhe daria direito à reeleição vitalícia se espalhou pelas agências internacionais – mas não com a velocidade que se esperava.

Das principais, a BBC foi a que mais demorou a noticiar e ainda assim na versão internacional do site. Na Inglaterra, Chávez perdeu a cena para o russo Vladimir Putin, que elegeu maioria nas eleições parlamentares de domingo.

Na Venezuela, depois de sair do ar com o anúncio da derrota chavista, a manchete do site El Observador, da RCTV, emissora que Chávez já havia tirado do ar em maio: “Traz a expressão da vontade da maioria dos venezuelanos; a Reforma Constitucional não vai”.

Na madrugada brasileira, chegou antes em O Globo ”Proposta de reforma constitucional é rejeitada na Venezuela”, seguido pelo Estadão e mais tarde na Folha. Enquanto isso, o  espanhol El País já trazia “Chávez reconhece sua derrota“.

Sem dormir, Ricardo Noblat logo postou no alto de seu blog a frase de Hugo Chávez dita após admitir a derrota e que perduraria ao longo de todo o dia:

- “Minha proposta de reforma da Constituição não está morta. Está viva. E seguirá viva”.

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