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CONVERGÊNCIA

| Daniel Vasques |

Na TV americana, um dilema: como salvar a análise política do fim de semana?

Não é de hoje que os americanos são loucos por política. Há décadas, nas manhas de domingo, as três principais redes de televisão dos Estados Unidos apostam em programas de debates e entrevistas com líderes internos e internacionais. É ali que, muitas vezes, são anunciadas medidas – como a defesa de Obama ao programa de saúde “Obamacare” – ou discutidas crises globais como a recente anexação da Criméia pela Rússia em uma verdadeira volta aos tempos da Guerra Fria.

Juntos, “Meet the Press” (NBC), “Face the Nation” (CBS) e “This Week” (ABC) somam aproximadamente 10 milhões de telespectadores.

Pode parecer muito. Mas numa era em que a informação é descartada a cada novo clique, o futuro já não é mais como era antigamente.

E no caso da NBC ele não vislumbra ser nada bom. Se em fevereiro o “Meet the Press” foi líder à frente da ABC e CBS, na semana passada o show caiu para um distante terceiro lugar (2,65 milhões de telespectadores) repetindo o que já havia ocorrido no terceiro semestre do ano passado.

Rápida como uma conexão de 10 gigas, a emissora resolveu agir. E buscou na internet o que pretende, ironicamente, ser a salvação para o programa de televisão.

Na quinta-feira, 20, a NBC News lançou o “Meet the Press: Express”, uma série de vídeos digitais disponibilizados no meio da semana e que contam com um grupo rotativo de jornalistas da rede em Washington.

A novidade vem na sequência de uma série de conversas curtas no Twitter (“Tweet the Press”) e de entrevistas (“Press Pass”) para o “Meet the Press 24/7”, a página do programa na internet.

Com o mundo — e a mídia — em constante transformação, o canal busca adaptar-se ao novo cenário digital, onde potenciais espectadores não estão conectados apenas na manhã de domingo, explica o apresentador David Gregory.

— Nós queremos ser capazes de atingir o público de formas diferentes. Eu sei que há um monte de pessoas mais jovens assistindo ao programa ou assistindo clipes do programa. Queremos alcança-las de diferentes maneiras — declarou ao Huffington Post.

A questão que fica é se, em plena era digital, o “Meet the Press” e seus similares serão capazes de manter acesa a discussão até o próximo domingo.

YES, WE CAN

| Daniel Vasques |

O dia em que o mundo elegeu um presidente negro

No site oficial da campanha, Obama agradece:
No site oficial da campanha, Obama agradece aos eleitores: “A mudança pode acontecer”

Washington D.C., 04 de novembro de 2008, 11p.m. horário local (2h da manhã em Brasília). Na TV, a CNN informa ao vivo para o mundo: “Breaking News: Barack Obama elected president”.

Obama venceu. 297 a 139 a favor do Democrata, projetou.

Empatou com a CBS que também projetou Obama logo em seguida e furou as concorrentes NBC, ABC e Fox News que demoraram para admitir o que todos já acreditavam. Sim, todos acreditavam.

Fora um pulo para que canais de notícias ao redor do planeta passassem a mostrar imagens de Chicago, onde mais de 500 mil pessoas (chegaria depois a um milhão) esperavam pelo discurso do primeiro homem negro a governar os Estados Unidos exatos 145 anos após o final da escravatura na América.

Em 18 minutos John McCain veio a público e reconheceu o que as projeções apontavam. Em discurso, admitiu ter telefonado a Obama e tê-lo cumprimentado pela vitória – o ato simbólico que faltava para o mundo finalmente consagrar um presidente negro como chefe em comando. O 44° presidente a governar a América.

O auge do discurso fora o reconhecimento do significado que a eleição tem para os negros afro-americanos.

– Perdi uma eleição. Essa campanha foi e permanecerá a maior honra da minha vida. Desejo a benção de Deus ao homem que foi meu adversário e será o meu presidente. Os americanos nunca desistem. Nós não nos rendemos. Nós fazemos a história – afirmou.

Sites de notícias ainda falavam em projeções quando a Folha entrou no alto da página com “Obama é eleito novo presidente dos Estados Unidos” para em seguida atualizar “Obama é eleito primeiro presidente negro dos EUA”.

Exatamente uma hora depois da primeira projeção, Obama falou:

– A mudança está chegando aos Estados Unidos. America, eu prometo a vocês: nós, como povo, vamos chegar lá. Um novo amanhecer está no horizonte. Não podemos ter Wall Street bem sucedida quando as outras streets (ruas) estão sofrendo – disse enquanto ao fundo a multidão gritava “Yes, we can” (“sim, nós podemos”).

Já era madrugada de quarta-feira quando o mundo tinha um novo presidente eleito. Seu nome era Barack Obama.